Os fiéis católicos de Franca foram surpreendidos quinta-feira à noite, durante a missa de Corpus Christi, com o anúncio da transferência de 13 padres e a mudança de cargo de outros dois sacerdotes dentro da diocese. O comunicado foi feito pelo bispo diocesano Dom Pedro Luiz Stringhini diante de milhares de pessoas na Praça Nossa Senhora da Conceição e causou diferentes reações. Algumas aplaudiram e outras lamentaram. A previsão é de que as mudanças comecem a ocorrer dentro de um mês. Esta é a terceira rodada de alterações nas igrejas da Diocese de Franca desde a posse do novo bispo, ocorrida em fevereiro.
As trocas de padres anunciadas afetam principalmente as paróquias de Franca, São Joaquim da Barra, Nuporanga e Guará. Já Buritizal e Jeriquara terão pela primeira vez a presença de um padre fixo na cidade. A novidade ocorre em razão da transformação da igreja das duas localidades em áreas pastorais. Desta forma, além de padres próprios, elas passam a ter também mais autonomia pastoral (com celebrações e outras atividades) e administrativa. A única diferença em relação a uma paróquia oficializada é a parte canônica. Como a paróquia ainda não é constituída, a área não tem a documentação e os livros para registros de casamentos, batizados e crismas. Em Franca, uma quarta área administrativa foi criada na comunidade São João, no Jardim Noêmia.
Para Dom Pedro Luiz, as mudanças são necessárias para o desenvolvimento das paróquias e a readequação de funções. “Temos padres doentes, cidades sem padres e paróquias que precisam crescer e para isto necessitam de padres mais experientes”.
Entre as transferências mais inesperadas estão a saída do padre Fábio Girolamo da Paróquia Santa Rita em Franca, depois de 20 anos no local, e a ida do padre Paulo Tavares de Brito, da Paróquia São Benedito em Franca, para São Joaquim da Barra. “A saída de um padre da paróquia afeta do ponto de vista humano, pois há envolvimento afetivo, mas precisa ser entendida. Ela ocorre para crescimento e melhoria das paróquias e de um modo geral da diocese”, disse Dom Pedro.
Segundo padre Paulo, que está há seis anos e meio na Paróquia São Benedito, a mudança é dolorosa mas deve ser aceita como sinal de obediência ao bispo. “É o momento de exercer aquilo que prometi na ordenação ao bispo. Sentia a necessidade de dar essa resposta. Fica a dor de deixar os amigos, a comunidade, mas há também a alegria de assumir uma nova missão”.
A decisão de mudar padres de paróquias é tomada pelo bispo diocesano aconselhado por um colegiado de presbíteros e pode ocorrer sempre que houver necessidade. Há porém uma orientação da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) que sugere a duração do título de pároco por seis anos, podendo ser renovado. “A permanência de um padre em uma paróquia não é estável. Ele precisa estar pronto para o trabalho que a igreja chama”, disse o bispo.
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