Franca, uma das grandes cidades do Estado de São Paulo, berço da indústria calçadista nacional e capital brasileira do basquetebol, principalmente nos últimos anos, passa a receber a atenção que o município sempre mereceu. Em toda a história, a maioria das decisões importantes passava por Ribeirão Preto, para onde as autoridades francanas tinham que se dirigir para receber benefícios, assinar convênios ou reivindicar obras e serviços durante visita de governadores e deputados que se quedavam na vizinha cidade e não se dispunham a seguir os 98 quilômetros que separam as duas cidades. Ao longo das décadas, nosso município tem visto a sua importância eclipsada pela maior representatividade política e econômica do vizinho município. Porém, fatores distintos nos últimos quatro anos foram combinados e os pratos desta balança começaram a oscilar em benefício de Franca, embora os pesos ainda continuem pendendo para o outro lado. E nem poderia ser diferente, diante da importância que o vizinho município - é o sexto mais populoso do interior do Brasil e um dos grandes parques industriais brasileiros -, que não pode ser desprezada.
E os exemplos são muitos, mas é de se destacar, em tempos recentes, a importância que o governo do Estado dá a Franca ao eleger a cidade como palco para a distribuição de 50 ônibus a prefeituras de todo o Estado, assim como a entrega de 67 viaturas para a Polícia Ambiental, tudo neste início de ano. O ex-governador José Serra passou a nos visitar com mais constância.
Nessa toada, o atual governador, Alberto Goldman, também esticou até Franca sua passagem por Batatais, antes mesmo de passar por Ribeirão. Além deles, o município ainda vem sendo ponto de parada obrigatória de políticos de expressão nacional, que passam a nos ver como importante centro de decisões. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) descobriu isso faz tempo e agora estamos acostumados a ver por aqui o deputado Michel Temer (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados; Aloizio Mercadante (PT), senador e pré-candidato ao governo do Estado de SP; o deputado Arlindo Chinaglia (PT) e o senador Romeu Tuma (PTB), entre vários outros. Era algo que não acontecia com a frequência atual.
Acrescente-se a isso vários benefícios concedidos também por aqui, como a assinatura de convênios da Sabesp para a captação da água do Rio Sapucaí, para obras no córrego dos Bagres e a liberação de verbas para recapeamento urbano e nas rodovias vicinais. Antes, a liberação acontecia em São Paulo ou em Ribeirão. Por último, o governo do Estado marcou para Franca uma audiência pública para a discussão do orçamento de 2011. A peça vai contemplar as prioridades não só da região de Franca como também de Ribeirão Preto. Ou seja, desta vez, os ribeirãopretanos é que terão de vir para cá discutir seus interesses. Estes pequenos progressos, que podem ser creditados como vitórias, servem para colocar esta região Nordeste do Estado de São Paulo no mapa, dando-lhe força para apontar com maior contundência para as deficiências de todas as 23 cidades que formam nossa região administrativa e cobrar com maior expressividade a solução de problemas, diretamente, sem depender de intermediários.
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