Equação que não dá certo


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É preocupante a informação de que o delegado de Polícia no Estado de São Paulo tem o menor salário da categoria em todo o País. É uma situação desconfortável para o maior Estado brasileiro, que perde para outras unidades da Federação bem mais carentes de recursos, como Piauí, Ceará, Tocantins e Rio Grande do Norte, cujos delegados recebem salários superiores a R$ 7 mil (o delegado paulista tem salário inicial bruto de R$ 5.203,13 e líquido de R$ 3,6 mil). Quem recebe os maiores vencimentos no Brasil é o delegado do Distrito Federal, com R$ 13.368,68 mensais. O governador Alberto Goldman anunciou um reajuste para o salário dos delegados que eleva o vencimento para R$ 5,4 mil em cidades com menos de 500 mil habitantes. Um valor ainda insignificante que precisa crescer muito mais.


Os baixos vencimentos (que atingem toda a cadeia da Segurança Pública em SP) acabam por nivelar por baixo a profissão. Então, fica a pergunta: sem salários adequados, que compensem os riscos a que o policial está exposto, como ele terá tranquilidade para enfrentar facções criminosas e traficantes perigosos, além de investigar o crime organizado? É uma equação que não se fecha. Não por acaso, muitos policiais (e, aí, não só os civis mas também os militares, cujos salários também ficam aquém do satisfatório) acabam buscando uma nova ocupação para ‘engordar’ seus vencimentos, principalmente como seguranças de bares, clubes noturnos e restaurantes. Uma situação em que o vencimento insuficiente leva ao desgaste do próprio profissional.


A falta de valorização dos policiais no Estado de São Paulo é preocupante e acaba por contribuir para a insegurança. Não se faz aqui a defesa da busca pelo segundo emprego e muito menos se procura justificar o eventual deslize para a ilegalidade. O que se defende é a tranquilidade que todos os profissionais precisam ter para desenvolver sua função a contento. Sem flertar com a ilegalidade ou a imoralidade. Todo policial precisa receber o valor adequado à importância e periculosidade de sua atuação.


A situação fica mais grave ainda a partir da debandada que policiais concursados para outras profissões. Diversos ainda buscam passar em concursos de outros Estados, onde os vencimentos são mais compensadores. Tudo isso resulta nos buracos que a segurança pública registra em todo o Estado de São Paulo: 31% das cidades (cerca de 200 municípios) não contam com delegados fixos. Só na Seccional de Franca, que abrange 17 municípios, o déficit de profissionais chega a dez delegados. São 33 no total. Seis cidades da sub-região não têm delegados. Em Franca, são necessários mais quatro para preencher as vagas existentes. Por isso, há aqueles que acumulam o atendimento em duas ou até três delegacias diferentes. Como se sabe, com esse acúmulo o resultado apresentado passa longe do satisfatório. A se continuar assim, corre-se o risco de ver o número de delegados se reduzindo sem que haja qualquer atrativo para recompor o quadro no Estado.

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