Câmara rejeita proposta e sessões continuam às terças


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VOZ CONTRÁRIA - Laércinho disse que a mudança não teria efeito prático e ironizou a divergência de vereadores do PSDB sobre a proposta: “É a primeira vez que vejo dois tucanos dando bicadas de lado diferente”
VOZ CONTRÁRIA - Laércinho disse que a mudança não teria efeito prático e ironizou a divergência de vereadores do PSDB sobre a proposta: “É a primeira vez que vejo dois tucanos dando bicadas de lado diferente”

Escaldada com as reações contrárias da sociedade pela aprovação de propostas sem eficácia, a Câmara rechaçou, ontem, a ideia do vereador Jépy Pereira (PSDB) de mudar as sessões para as quintas-feiras. Ao perceber que não teria os votos suficientes para a aprovação, o líder do prefeito tentou duas saídas para não ter de engolir a derrota. Primeiro, tentou o adiamento por quatro semanas. Não conseguiu. Depois, pediu a retirada. Em vão. Dos oito votos necessários, recebeu seis.


Jépy queria mudar o dia das reuniões com a justificativa de que a produtividade iria melhorar. Para ele, os três dias úteis que antecederiam o encontro dariam mais tempo para os vereadores estudarem os projetos e prestarem melhor atendimento à população. Inicialmente, conseguiu convencer o colegas de plenário e obteve nove assinaturas de apoio.


Na hora do voto, que é o que vale, a sustentação da proposta não se manteve. Durante as articulações que sempre antecedem a votação, Jépy concluiu que não teria o número de votos necessário. Foi quando pediu ao colega da base aliada, Oscar Mercuri (PP), que solicitasse o adiamento do projeto por quatro sessões. Avesso ao microfone e conhecido por quase nunca falar, Mercuri atendeu ao pedido.


A proposta de adiamento não foi bem recebida pelo plenário. O primeiro a se posicionar contra foi Marcelo Valim, companheiro de partido de Jépy. “Devemos nos preocupar com coisas mais importantes do que ficar mudando o dia das sessões. É preciso parar, pensar e apresentar projetos de boa índole”, disparou. Laércinho (PP) não perdeu a oportunidade de ironizar a divergência entre os vereadores do PSDB. “É a primeira vez que vejo dois tucanos dando bicadas de lado diferente”, disse, para afirmar que também era contrário à mudança. Josivaldo Bahia (PTB) também avisou que a proposta não teria o seu voto.


O pedido de adiamento foi rejeitado e Jépy tentou uma saída hon-rosa para não ser derrotado pelo voto. “Não sou cabeça dura e vou pedir a retirada do projeto”, disse na tribuna. Com o recuo, pelo menos três vereadores pegaram os seus pertences e se retiraram do plenário. O projeto era o último da ordem do dia.


A Mesa Diretoria, no entanto, alertou que o simples pedido não era suficiente para a retirada. Era preciso a concordância dos nove vereadores que assinaram a proposta como sendo de autoria coletiva. O projeto teve de ser votado e foi reprovado pelo plenário. Jépy tentou minimizar o revés. “Como advogado, seria mais complicado vir à Câmara na quinta-feira. Tentei fazer algo de melhor e não me sinto derrotado.”

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