Se em alguns casos, exuberância pode não portar bem estar, alegria, grandeza gratificante aos sentimentos do espírito, não importa, pois dessas não falaremos. Trataremos das outras, que glorificam a alma enaltecendo a vida e o amor, que destaca beleza das pessoas realçando-lhes valores sempre percebidos pela naturalidade e sinceridade em seus hábitos.
Há anos, em uma crônica que escrevi, optei por alcunhar uma pessoa de Top Model. Era naquele momento meu mais aquecido desejo, homenageá-la – dentro de mim – com o mais expressivo grau de apreço, respeito, admiração aos exemplos dela emanados. Não poderia eu reter comigo, escondido na alma, àquela divindade de encantos. Era preciso gritar ao mundo a explosão de qualidades reunidas em um ente amado e querido, dividir com as demais pessoas toda a perfeição contida e permitida por Deus em uma de suas criaturas navegando pelo mundo.
Top Model era muito pouco para sintetizar a magnificência de uma mulher tão plural. O termo estaria muito bem aplicado ao simplesmente identificar uma supermodelo na passarela para arrebatamento de uma platéia esnobe e encantada.
Errei dando-lhe tal título, digno sim, entretanto limitante no que diz respeito a sua diversidade quanto aos dotes trazidos do berço, passados ao companheiro de longa vida, aos filhos, netos, bisnetos e trinetos. O equívoco do qual me penitencio fundamentou-se na constante cuidada elegância saltando aos olhos de uma cidade inteira. Desde os tempos da juventude lecionando Ciências na Escola Profissionalizante 'Dr. Júlio Cardoso', herdara saber e aprumo estagiando em sala de aula com seu pai, David Carneiro Ewbank, ilustre matemático e professor na Escola Estadual "Cel. Francisco Martins", ao tempo, localizada no Largo das Magnólias, onde hoje está o Correio central.
Primorosa educação formatada no seio da família os primeiros passos nas letras foram dados com a festejada dama, escritora e professora Evelina Gramani Gomes.
Sua vida profissional pautou-se pela dedicação e amor ao ensino, moldes de um tempo em que a figura do mestre, além de ensinar, amigo e conselheiro, era respeitada com o rigor de uma sociedade grata, séria, responsável e confiante na construção de um digno futuro.
Fui abraçá-la na comemoração de seus 94 anos, feliz, segundo ela: a caminho dos 100. Na verdade o que fiz com muito gosto? Assisti a uma aula de eloquência em permeio à exuberância de vida, de amor, de amizade, de fé, de elegância, de beleza, de esperança, de postura e felicidade.
Nesta semana, ofertei-lhe orquídeas brancas, símbolo de sua pureza, minha proposta com intenso carinho para com elas: rivalizar belezas com exuberância da flor orquídea e, da mulher, Dona Nenê Ewbank Seixas.
Garcia Netto
Jornalista
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