O bom desempenho da economia de Franca no início deste ano derrubou o número de pedidos de seguro-desemprego. Nos primeiros quatro meses de 2010, a quantidade de pedidos do benefício em Franca caiu 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 18 mil pedidos entre janeiro e abril de 2009, ante 12,5 mil no primeiro quadrimestre deste ano. Os números são do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
O gerente regional do MTE em Franca, Jamil José Leonardi, diz que a recuperação no mercado de trabalho do setor calçadista começou em fevereiro e, com isso, os pedidos de entrada no seguro-desemprego vêm caindo mês a mês. “Em janeiro o número de pedidos permaneceu igual ao do ano passado, mas de fevereiro a abril há um decréscimo. O número em abril de 2010 é bem menor que o do mesmo mês de 2009”, destaca.
Em abril deste ano deram entrada no MTE de Franca 1.428 pedidos de seguro-desemprego contra 4.399 no mesmo mês em 2009 - queda de 67,5%.
Para o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Sebastião Ronaldo de Oliveira, a categoria vive um “bom” momento. “Há muitos anos o setor não esteve tão bom quanto agora. Em muitas empresas está faltando mão de obra”, ressalta.
O presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), José Carlos Brigagão do Couto, afirma que o reaquecimento da indústria calçadista preencheu muitas vagas perdidas em 2008 com a crise mundial. “A manutenção de uma estabilidade no setor de calçados tem conseguido manter os postos de trabalho”.
Medidas contra a entrada de calçados chineses no Brasil também refletem na queda do desemprego em Franca, acredita Couto. No início de março deste ano, a Câmara de Comércio Exterior aprovou a aplicação do direito antidumping (o dumping acontece quando empresas exportam seus produtos a preços abaixo do praticado no país de origem) sobre a importação de calçados chineses. A medida determina sobretaxa de US$ 13,85 pelo par de calçado trazido da China e tem duração de cinco anos. “Conseguimos manter nossa produção e, consequentemente, a mão de obra”, afirma Couto. Ele alerta que, ainda assim, os empresários devem estar atentos. “Devemos conter a euforia do mercado interno, pois temos pela frente as eleições para Presidente da República, além da combalida economia da Europa - agravada pela crise da Grécia. Portanto, o aumento de produção deve ser feito com cautela”, conclui.
GREVE
A queda nos pedidos de seguro-desemprego em Franca não foi influenciada pela greve no Ministério do Trabalho e Emprego, de acordo com o gerente regional do MTE em Franca, Jamil José Leonardi. “O atendimento para entrada de seguro-desemprego permanece normalizado. Se a greve influenciou, foi muito pouco”, afirma.
A greve em Franca começou no dia 20 de abril. Dos 10 funcionários da área administrativa da gerência regional, cinco permanecem em greve.
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