Daniel Silva é dono de uma banca de pesponto de calçados há oito anos. Com mais contratos firmados neste ano, optou por manter os quatro funcionários em sua banca e ampliar a jornada de trabalho deles. Os empregados têm trabalhado uma hora e quinze minutos a mais todos os dias e também trabalham aos sábados.
A produção na fábrica, de abril para cá, subiu de 40 pares de sapatênis por dia para 60, mas poderia ser ainda maior. Demanda existe. “A procura está muito grande. Por semana recebo umas três ligações de empresas querendo passar serviço, mas tenho que dispensar porque não tenho mão-de-obra”, disse Daniel, que está otimista com os próximo meses de 2010. “Neste ano, desde janeiro, não parei um dia. Se for considerar o ano inteiro de 2009, fiquei sem serviço uns 90 dias. Agora melhorou muito”, disse ele.
Para os funcionários o fato de trabalhar mais e no fim de semana é cansativo, mas uma garantia de renda extra no orçamento. Daniel Luiz, 33, trabalha como pespontador há 20 anos. É um dos 13 funcionários de uma banca no Jardim Luiza I e, quando há mais encomendas, sai mais tarde do emprego. “Neste ano deu uma arrancada boa no serviço e, se precisa, fico depois da hora e saio seis e quinze ou sete horas da noite. No sábado, saio 11 horas. Acho bom porque ganho mais”. Daniel não soube precisar quanto recebeu de horas extras nos últimos meses, mas reforça que fez diferença. “Foi uma boa média. Ajudou a pagar minhas contas. É bom”.
TRABALHO
Sem conseguir terceirizar a produção para bancas de pesponto, o empresário Jaime Borges, da Stefanello Calçados, resolveu investir na própria fábrica. Alugou e comprou máquinas para expandir o pesponto interno. “Gastei R$ 150 mil para comprar máquinas novas de pesponto e outras. Nesta semana recebemos cinco das oito máquinas que compramos em fevereiro e outras três ainda não chegaram porque a fabricante está com fila de espera.”
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