A pedra maldita


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Nos EUA o crack foi quase que totalmente erradicado sem que nenhuma ação de governo, policial ou de organismos de segurança fosse tomada. Por quê?

O crack é terrível. A mídia tem noticiado, insistentemente, sobre os gravíssimos problemas que tem causado à nossa sociedade brasileira. Após viciar adultos e adolescentes, agora a chamada pedra maldita chega às crianças. Ao invés de bolas e bonecas, cachimbo, isqueiro e crack. Abandonam suas casas e escolas, passam a furtar e até a traficar como forma de obter mais pedras. Chegam facilmente a crimes mais pesados. Por sua forma de uso, o crack é mais potente do que qualquer outra droga. Provoca dependência desde a primeira experiência.


Pode parecer irreal, mas foram os próprios cartéis de drogas dos EUA que resolveram acabar com o crack. Chegaram à conclusão de que o crack gerava mais prejuízos do que lucros visto que atrapalhava os negócios mais rentáveis e de maior tempo de dependência antes da morte do usuário. Além disso, colocava em conflito as questões de hierarquia dentro das organizações.


Há mais ou menos 20 anos, quando o uso do crack começou a ser detectado no Brasil, foi identificada como uma droga destinada a usuários de baixa renda e, portanto, com diminuto potencial de geração de lucro para os traficantes. Dessa forma nossas autoridades acreditaram que sem escala apropriada e consequente lucratividade o comércio da droga estaria fadado a restringir-se a uma posição secundária e, talvez não acontecesse disseminação ampla. Foi um erro. A droga é sim de baixo custo, mas de utilização continuada. Na somatória, gera faturamento significativo, já que o usuário têm que conseguir diariamente.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou no último dia 20, decreto que institui o Plano Integrado de Enfrentamento do Crack e outras drogas, no intuito de implementar ações em três frentes: prevenção, combate e tratamento. Vamos torcer para que dê resultado.


O ‘duro’ é ter que aceitar a realidade de que, o Estado, apesar da boa vontade, não consegue alterar a situação e nos parece impotente diante do crime organizado. Talvez, como aconteceu nos EUA, quem venha a reduzir o consumo do crack sejam os próprios narcotraficantes, que determinam as regras do ‘mercado’. Pode ser que a natureza mortífera da droga os convença a não perder mais “clientes”.

É BOMBA!
Independentemente de vir a ser cumprido ou não o acordo internacional entre Irã, Brasil e Turquia, assinado no último dia 17, o fato é que, pela primeira vez, uma ação desse porte foi empreendida por potências emergentes, países que geralmente ficam à margem das grandes decisões mundiais. Só por isso a data ficará marcada. Desde o término da II Guerra Mundial o mundo todo é regido e se submete às decisões de um pequeno grupo de países que se auto-intitulam ‘superpotências’ e que, geralmente tomam as decisões que melhor lhes convêm no sentido de manterem suas ‘regalias’, obrigando o restante do mundo a que as sigam. Queiram ou não, já passou da hora de potências emergentes assumirem papel importante no contexto mundial. É lamentável que as grandes potências reajam contra o acordo em vez de cobrarem realizações com base no acordo. Obviamente sabemos que o termo não soluciona ou resolve todo o problema com o Irã, mas há um documento assinado que poderá ser exigido dentro de seus termos pactuados e não somente impondo sanções que não levam a nada. Que desculpem nossa inocência mas nós não conseguimos compreender a política ‘pacifista’ adotada pelos países que possuem a ‘bomba atômica’ ao defenderem a utilização de armas nucleares para impedir que o Irã produza suas armas nucleares. Isso pode ser considerado como política em busca da ‘paz mundial’? Muito pelo contrário. Essa política praticada há décadas somente aumenta a insegurança. As grandes potencias não aceitam o acordo primeiro porque não foi feito por eles; e segundo, porque dizem não terem confiança no Irã. Ora, da mesma forma que as grandes potências desconfiam de nós, países em desenvolvimento, nós também temos o direito de desconfiar de seus atos. A propósito, o acordo para não proliferação de armas nucleares está parado pelas ‘grandes potencias’ há mais de cinco anos. Então, é bom perguntar como anda a destruição dos arsenais nucleares ainda existente... Enfim, por que as superpotências mundiais têm direito de continuar fazendo o que quiserem, do ponto de vista de bombas, e os outros países não? O perigo é igual em todos os sentidos. Terroristas podem comprar o artefato em qualquer país, inclusive das superpotências, ou não? E vamos ser realistas. Hoje em dia, terroristas ‘modernos’ não se utilizam mais de bombas atômicas, que necessitam de transporte de muitas toneladas de equipamentos, além de ser uma coisa complicada. Usam armas biológicas ou químicas, que podem estar contidas em simples envelopes ou cápsulas.


QUEDA DE INVESTIMENTO
Na última semana, passou quase sem comentário que em abril o investimento estrangeiro no Brasil caiu 11,05%; e que o Banco Central divulgou que houve um déficit de US$ 4,6 bilhões nas transações com o exterior. Para nós algo de muito estranho está acontecendo na economia brasileira, ocultado por economistas e pela mídia especializada. Desequilíbrio persistente das contas externas brasileiras é sintoma de que há necessidade de algumas intervenções antes que seja tarde.

 

Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -

toninhomenezes@comerciodafranca.com.br

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