Em 1996, a criação do Exame Nacional de Cursos (o Provão) para avaliar estudantes e cursos superiores do País (hoje transformado em Enade, com a mesma função) foi o primeiro passo do governo federal para buscar a melhora dos cursos de graduação no Brasil.
De lá para cá, o exame tem auxiliado no diagnóstico da qualidade dos cursos e uma cobrança maior das instituições de ensino. Mais tarde, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) passou a testar o conhecimento dos estudantes e a qualidade do ensino nas escolas de ensino médio. Hoje, a nota no Enem é utilizada como critério de seleção para os estudantes que pretendem concorrer a uma bolsa no Programa Universidade para Todos (ProUni) ou como complemento ou susbstituição ao vestibular de universidades.
Na esteira do Provão, a Secretaria de Estado da Educação criou o Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) para avaliar o desempenho de alunos do Ensino Fundamental e, também, do Ensino Médio. Mas a falta de clareza na exposição de seus resultados impede que se conheça efetivamente a qualidade do ensino noEstado.
O sistema avalia o desempenho dos alunos da 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do ensino fundamental e do 3º ano do ensino médio. O problema é que é muito difícil mensurar o desempenho geral de cada escola em todas as suas séries, uma vez que as notas são diferenciadas. Não há uma unidade que permita, por exemplo, comparar o resultado de uma escola com o de outra. Parece que a mentalidade anti-competitiva brasileira se manifesta também na dificuldade que o governo apresenta de estabelecer claramente o que é melhor e o que precisa avançar. Além de dificultar aos pais conhecerem o desempenho global das escolas de seus filhos, ainda prejudica a tabulação dos dados por parte da imprensa, que tenta entender os critérios e números finais para informar ao seu público.
Até para se levantar informações a respeito da metodologia aplicada e as razões para tal processo é difícil. A reportagem do Comércio vem analisando os dados do Saresp nos últimos dias e publica matéria na edição de hoje a respeito. Para fundamentar de maneira mais precisa os critérios adotados pela avaliação, a equipe fez contato com a Secretaria de Estado da Educação, com a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação - ligada à secretaria e responsável pela aplicação da avaliação) e com a Diretoria Regional de Ensino. Em nenhuma das situações obteve resposta.
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