Sabe aqueles sintomas de TPM (Tensão Pré Menstrual) - depressão, sensibilidade, cólicas, fome em excesso ou falta de apetite, insônia, inchaço, agressividade, ansiedade, acne, dor de cabeça, ufa! - que tiram você, e todo mundo a sua volta, do sério? Imagine nunca mais senti-los e, ainda, de quebra, prevenir uma gravidez indesejada e não ter o incômodo do sangramento mensal da menstruação? Pois então, esse é o desejo de 10 entre 10 mulheres que sofrem com esse sintomas. E é possível conseguir se livrar desse incômodo, de forma relativamente simples: com uso continuado da pílula anticoncepcional, que suspende a menstruação.
Segundo uma pesquisa feita pelo laboratório Bayer Schering Pharma com 3,4 mil mulheres com idades entre 16 e 49 anos, de cinco países diferentes, uma em cada três pessoas gostariam de não sangrarem, se tivessem essa opção. O método também tem se tornado comum entre mulheres de diferentes idades de Franca, mas ainda causa dúvidas e receios entre as que avaliam que ele vai contra “uma lei da natureza”. “Fico com receio de não menstruar e isso me fazer mal, prejudicar meu organismo, me trazer conseqüências futuras”, disse Samanta Pires que, aos 22 anos gostaria de se ver livre da TPM.
De fato, existem algumas contra-indicações bastante específicas que devem ser observadas por quem estuda adotar esse procedimento, mas, de acordo com os médicos consultados pela reportagem, se os cuidados necessários forem observados, não há riscos.
O ginecologista e obstetra Raul Hellu Júnior recomenda que, em primeiro lugar, cada mulher deve discutir com o seu médico - e não com uma amiga -, após exame físico detalhado, qual é o melhor anticoncepcional. Para quem escolhe o oral, ele apresenta a opção da pílula continuada, um remédio específico e tomado sem a pausa de sete dias dos remédios mais antigos. "Esse procedimento acaba com quase 100% dos sintomas da TPM e dá liberdade para a mulher moderna ter a vida que ela quer", avalia o médico. Como desvantagem, o médico destaca a possibilidade de sangramentos "surpresas", principalmente nos primeiros meses do tratamento.
Há também os casos em que o remédio não é indicado. Pessoas com doenças autoimunes, hipertensão, insuficiência renal, que tenham histórico de câncer de mama, diabetes, que usem remédios controlados ou que tenham tido trombose estão proibidas de tomar a pílula - continuada ou não. O ginecologista ainda faz mais uma ressalva importante: mulheres acima de 35 anos e que são fumantes não podem tomar anticoncepcional. O risco de um acidente vascular cerebral aumenta em seis vezes nesse caso.
Outra preocupação frequentemente elencada pelas mulheres que querem adotar o método, diz respeito ao medo de que isso prejudique a fertilidade. Um estudo brasileiro - opinião endossada pelo médico de Franca - publicado pela revista americana Contraception garante que isto é um mito. Segundo a publicação o uso contínuo da pílula tem exatamente os mesmos efeitos na mulher do que quando ela opta por tomar o remédio com pausa mensal.
A estudante de psicologia Patrícia Morgabel, de 25 anos, penou durante muito tempo com os sintomas da TPM, mas há quatro anos não sabe o que é ir ao supermercado comprar absorvente regularmente. Desde que se mudou da casa dos pais para Franca, onde faz faculdade, usa pílula para não menstruar. "Eu sempre sofri muito com os sintomas da TPM. Tinha cólicas horríveis e chegava a chorar de dor. Quando ia me mudar falei para o médico que não queria passar por tudo aquilo sozinha e ele sugeriu o remédio", disse a estudante. Hoje ela nem se lembra do que já sofreu e das vezes em que precisou trocar o "modelito" por causa dos inconvenientes da menstruação. "Esqueço o que é ficar menstruada. Devo ter tido pouquíssimos sangramentos desde que comecei com o remédio", conta.
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