Em obediência às fases da lua, costuma-se dizer que na nova do mês de julho se faz o tempo certo para o preparo da terra a ser cultivada, principalmente nos quintais, hortas e jardins.
E Nilda, a de mãos ágeis que tudo faz com amor e alegria, já vinha preparando os canteiros do meu quintal com a esperança de devolver o viço, a cor, a vida enfim, às velhas e quase secas roseiras que eu pensava estarem irremediavelmente perdidas pelo tempo. O mais certo seria arrancá-las e trocá-las por novas mudas? Era a pergunta que me fazia.
Mas Nilda, acreditem, é sábia, porém teimosa e nenhuma roseira foi arrancada, pois segundo ela todas têm ainda histórias a contar. Entre tesouras, enxadas, adubos e joelhos no chão vai revolvendo a terra que regada com muito suor e amor a cada manhã parece agradecer e sorrir para a vida nova.
Falo de rosas, de vida nova, mas e aqueles brotos rasteiros de folhinhas arredondadas e verdes não parecendo simples gramíneas, que plantas seriam? Ah,sim, mais uma façanha da Nilda que há pouco guardara uns poucos grãos de feijão e a ela mesma fizera a recomendação:
- Planta-os, espera e confia.
Os grãozinhos lembrados e semeados brotaram; depois as vagens secas caíram e Nilda as recolheu em quase fartura. Aqueles grãozinhos dourados por algum tempo eram parte da nossa mesa. Feijão de delicioso sabor, não sei mesmo se abençoados; de certo é que abençoadas são as mãos de Nilda.
Farisa Moherdaui
Professora
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