Temas eleitorais


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Com o quadro de candidatos à Presidência praticamente definido e com pouca possibilidade de mudança resta, agora, começarmos os debates e esperar que os candidatos discutam aquilo que realmente interessa ao povo brasileiro: o nosso futuro.


A importância do Brasil na geopolítica mundial tornou-se tão grande e fundamental que não podemos nos perder em debates pífios e, muito menos, motivados por vaidade ou personalismos. É certo que teremos o tema "papel internacional do Brasil" na campanha presidencial desse ano, assunto que era praticamente inexistente em eleições passadas. Confesso que olhando os dois candidatos mais cotados, Dilma e Serra, vejo posturas antagônicas, seja pelo discurso atual, seja pela prática dos seus partidos. Dilma, candidata do Presidente Lula, defende um Estado brasileiro forte e determinado em ser, cada vez mais, um ator político internacional respeitável. Serra, político experiente e inteligente tem habilidade para continuar a construção da importância internacional do Brasil mas, não inseriu o Estado de São Paulo nesse contexto. Seu partido (PSDB) não é simpático à tese da autonomia brasileira no cenário internacional e seu discurso não nos garante a esperança de ter um Estado nacional forte, portanto, com força externa.


Entretanto e paralelamente, a essa discussão de geopolítica internacional, o Brasil precisa pautar discussões mais significativas e que, indiscutivelmente, formará a base de uma nação preparada para esse papel de ator internacional.
Há vários temas que necessitam estar na pauta dos candidatos. Alguns foram bem encaminhados e, portanto, a sociedade quer saber como se dará a sua continuidade. Outros foram pouco discutidos ou alterados e precisam ser totalmente pensados, debatidos, passando a compor uma agenda construída pelos candidatos para que possamos mapear suas intenções e enxergar as perspectivas futuras do País. Cito alguns desses temas: Educação – não há futuro com desenvolvimento econômico e social em todo o País e com equidade, se não fizermos da Educação a inspiração de todas as ações governamentais. Reforma Tributária – Chega de embromação. Não é a mera questão de continuarmos a discursar que temos uma elevada carga tributária, que onera o povo e tira a nossa competitividade internacional. A questão é mais séria e complexa. Não há como financiar o desenvolvimento econômico e, principalmente, o social, sem recursos financeiros. Portanto, nosso desafio é estabelecer uma tributação que seja justa e, ao mesmo tempo, eficiente para cumprir os objetivos do Estado. Saúde – Continuaremos com esse modelo que desperdiça dinheiro ao focar somente a doença ou investiremos em um modelo preventivo, mais barato e mais eficiente? Reforma Urbana – Necessitamos de cidades que sejam inclusivas e menos injustas. Através dessa discussão, com origem no Governo Federal, poderemos adequar e melhorar a vida da grande maioria da população.


Bem, são vários os temas pendentes que precisam ser debatidos pelos candidatos. Certamente teremos um bom tempo e espaço para abordá-los.

 

Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário

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