Desrespeito que choca


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Preocupante a manchete deste Comércio de ontem. Um adolescente de 15 anos agrediu com socos e chutes a coordenadora da escola em que estuda, no Jardim Aeroporto III. O fato causou grande indignação e ganhou destaque na imprensa. A situação, absurda, que escancara a falta de valores que a sociedade vive neste terceiro milênio, é menos incomum do que gostaríamos. O respeito deu lugar ao confronto e à violência, num ambiente cuja principal função é educar. Num local onde o que deveria prevalecer é o diálogo, o entendimento, a temperança. Porém, na prática, a banalização da agressão e do crime acaba falando mais alto, causando situações como a verificada anteontem.


A violência escolar, atingindo alunos, funcionários e professores, é cada vez mais comum. E, nos últimos tempos, professores e funcionários passaram a ser alvos, inclusive de agressões graves. Uma professora no Sul do País, meses atrás, sofreu traumatismo craniano depois de ser atacada por uma aluna de 15 anos. Recentemente, no Rio de Janeiro, a coordenadora de uma escola foi agredida por familiares de um aluno do qual havia chamado a atenção. E os exemplos vão se multiplicando e causando preocupação. Assim como o Código de Defesa da Criança e do Adolescente prevê sanções para os adultos que cometem violências contra menores, também são previstas punições para este tipo de ação. Mas, tanto neste como na maioria dos casos semelhantes, a reclusão na Fundação Casa não resolve o problema. Tudo passa por toda a reformulação do modelo educacional hoje vigente.


Em grandes centros, como São Paulo, adolescentes já provocaram um quebra-quebra geral em escolas e nada foi feito para evitar que fatos como estes se repetissem. Os problemas sociais sempre existiram e somente agora passaram a ser apontados como gatilho para ações como a registrada anteontem em Franca. Não só o modelo educacional merece ser modificado, mas a responsabilização destes menores também. Embora tenha sido um avanço considerável, o Código de Defesa da Criança e do Adolescente ainda não convence a sociedade ao deixar de definir amplamente as obrigações daqueles a quem protege. Crianças e adolescentes têm muitos direitos e poucos deveres. Respeito a pais, educadores e autoridades constituídas, aparentemente, não estão entre eles. Em todo o tipo de relação, exige-se mão dupla. E o respeito deve partir tanto dos educadores e pais quanto dos estudantes e filhos. Do contrário, estaremos diante de um impasse, sem nenhuma perspectiva de solução. Claro que, além da punição para coibir ações do tipo, é preciso também atacar o âmago do problema e, muitas vezes, a falta de educação é problema de berço.

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