Para onde vai o mundo? Où va le monde? Essa questão está posta como título de um pequeno livro de apenas dois capítulos, cujo autor, Edgar Morin se questiona e questiona o leitor acerca das incertezas e contradições nesses tempos de crises irremediáveis.
Ele revisita a História e aponta a necessidade de associação entre evolução, revolução, regressão, sendo todas entendidas como noções de crise. Existe, evidentemente, a sensação de desconforto e assombro em face de tudo o que está ocorrendo no tecido social. Todavia, o autor transmite uma péssima notícia: 'Não existe salvação histórica'. A História não pode salvar a humanidade. A perspectiva de salvação do ser humano pela política e pela economia já não mais convence.
Pena que o brasileiro não sabe que está preso nessa teia de informações distorcidas e ainda acha que algum político de esquerda (só existem políticos de esquerda), pode salvá-lo de si mesmo.
Quando os pensadores do século XIX prognosticavam que os séculos futuros seriam marcados pela barbárie na civilização e, de certa forma, Marx propôs a 'tertium non datur', ou seja, 'a lei do terceiro excluído', não há uma terceira opção, ou se está a favor dos oprimidos, ou contra eles. Seguiu-se uma única alternativa: socialismo ou barbárie.
Tem-se, inclusive, e o autor da obra citada comenta isso, que Marx não imaginava que o socialismo e a barbárie 'haveriam de contrair alianças'. Ele continua: 'é que o socialismo surgido não é o socialismo ideal de sua previsão, mas o socialismo de aparato estadista, que permite unir e concentrar nele a barbárie do poder de Estado, a barbárie de dominação policiesca/militar, a barbárie tecnológica, a barbárie burocrática'.
Nos regimes socialistas da União Soviética, China e outros, a barbárie se tornou patente nos mais de cem milhões de mortos por fuzilamentos, campos de concentração, câmaras de gás ou fome.
A articulação socialista atual é um pouco diferente. O projeto, a agenda, consiste em aniquilar a capacidade de raciocínio dos dominados. É criar o 'aluno de classe mundial', extinguir o indivíduo através da fusão deste com a coletividade.
Evidente que os poderes de Estado até podem aniquilar o planeta. Mas se optarem por isso, perecerão juntos. Como aniquilar o planeta é inviável, tratam de aniquilar o sentido de ser humano através do aniquilamento do elemento supremo do mundo: a liberdade.
A sagacidade insuportável da qual se vale a indústria cultural para alijar o ser humano de sua liberdade de escolha e autodeterminação é dantesca. Manipulam a vida, 'desnaturam a natureza', invertem o tempo, e nesse caso o fazem tomando o futuro como certeza e não como hipótese; ou seja, 'vote em mim' que eu sei que posso mudar o mundo, impondo-se, assim, todas as formas de subjugação ao espírito humano.
Atualmente, as pessoas não têm liberdade de escolher o que comer, o que vestir, o que pensar, o que crer, se vai caminhar ou se vai andar de bicicleta. Tudo é imposto. Já existe uma discussão nos Estados Unidos se escolher o que comer é ou não direito humano fundamental. Daqui a pouco, o governo vai decidir se vai ter bife ou salada no almoço das pessoas.
Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora
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