Fabricar sapatos femininos de alta qualidade para agradar as brasileiras. Com essa fórmula aparentemente simples, em 2009, a indústria francana Carolina Martori abriu três novas lojas - duas no Nordeste do Brasil e uma no Chile; começou a exportar para América Latina e Europa; e consolidou a marca com a fixação de seu nome em 80% (antes eram apenas 40%) dos 300 pares de sapatos que produz diariamente. O restante foi vendido em todo o Brasil sob etiquetas de grifes como New Order e Daslu. Tudo isso enquanto a maior parte das empresas do setor arroxava o orçamento e apenas resistia aos efeitos da crise econômica mundial deflagrada no fim de 2008. “Desde que começamos, em 2000, nossa produção foi totalmente voltada para o mercado interno. Não vimos crise”, disse Guilherme Bérgamo Martori, 26, diretor de marketing da empresa.
Apesar de não revelar números absolutos, o empresário afirma que o faturamento da Carolina Martori cresceu cerca de 30% nos últimos cinco anos. O bom resultado teria originado o processo de expansão planejado para durar até 2013. Ainda no ano passado foi inaugurada uma loja em Teresina (PI) e outra em Fortaleza (CE). “Também estamos analisando propostas para Salvador (BA) e São Luís (MA). Na região Sudeste, corríamos o risco que concorrer com clientes nossos, grandes lojas multimarcas. Já o Nordeste é um mercado inexplorado para a gente”.
Há 40 dias, a fábrica francana deu um passo ainda maior, abriu uma unidade em Santiago, capital do Chile. Até o fim deste ano, o país deve receber mais duas lojas. Na lista de Carolina Martori estão também quatro unidades na Argentina e no Uruguai. “O contrato é no estilo de uma franquia. Eles vendem apenas nossos produtos e têm assessoria da empresa. A diferença é que não cobramos royalties ainda. Precisamos fortalecer a marca primeiro”, disse Guilherme. Para o empresário, entre as vantagens de ter um espaço exclusivo, estão a garantia da longevidade da marca e o aumento das chances de venda, que em uma loja multimarcas é de apenas 10%.
Ao todo, 20 unidades deverão ser abertas em três anos.
MAIS BARATO
Além de ampliar o número de pontos de venda, a Carolina Martori pretende também ampliar suas linhas de produtos. De acordo com Guilherme, a fábrica estuda o lançamento de produtos de combate, mais simples e baratos. “Nossos sapatos são luxuosos, exigem mão-de-obra especializada e chegam a custar R$ 350. Já para esse novo estilo, no entanto, vamos terceirizar a produção. Ou seja, vamos comprar de outras fábricas e revender com a nossa marca”, explicou.
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