Idosos espantam a solidão e se casam depois dos 60


| Tempo de leitura: 3 min
<B>SUBIRAM AO ALTAR</B> - Os aposentados João Jovêncio da Silva, 79 anos, e Aparecida Silva, 74, que se casaram no mês passado, reveem as fotos da cerimônia. Há dez anos juntos, eles agora resolveram oficializar a união
SUBIRAM AO ALTAR - Os aposentados João Jovêncio da Silva, 79 anos, e Aparecida Silva, 74, que se casaram no mês passado, reveem as fotos da cerimônia. Há dez anos juntos, eles agora resolveram oficializar a união

O número de casamentos em que pelo menos um dos cônjuges tem mais de 60 anos está em crescimento em Franca. De acordo com o último levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a quantidade de uniões oficiais com um dos noivos sendo sexagenários subiu de 42 registros em 2003 para 63 em 2008, um crescimento de 50%. A autoconfiança, o aumento da expectativa de vida - atualmente de 70 anos para os homens e de 77 para as mulheres - além da independência financeira, são alguns dos incentivos elencados por profissionais que trabalham com grupos de idosos para explicar o aumento na oficialização de relacionamentos na terceira idade.


O casal Marta José da Silva, 60 e Antônio Lourenço Tristão, 61, resolveu casar no “papel” há duas semanas, dia 8 de maio. Dona Marta, que já foi casada nove anos com outra pessoa e tem três filhos, se sentia incomodada quando era questionada sobre seu estado civil. “Eu tinha que falar que morava junto com alguém”, disse ela que vive junto de seu Antônio há 15 anos.


Foi depois de uma década e meia de união que decidiu se casar. A família aprovou a união. “A gente já estava junto há muito tempo, então eles acharam que já estava passando da hora, não é?”, disse. Depois de convencer seu Antônio, a união oficial do casal ocorreu em uma cerimônia coletiva realizada pela igreja Assembléia de Deus. “Queríamos um documento que comprovasse que estávamos juntos. Foi um casamento simples, mas valeu a pena”, disse a recém casada Marta que não quis muitas “pompas” e optou por um vestido social e discreto para entrar na igreja.


Para que histórias como a de Marta e Antônio dêem certo, avisam especialistas, independência financeira também é fundamental. “Podendo se manter, eles ficam independentes, viajam mais, tem contatos com pessoas e aproveitam o tempo livre para o amor”, disse o economista Luiz Carlos dos Santos.


Para a geriatra Ana Maria Bruxelas (médica especializada na saúde de pessoas com mais de 60 anos), os casamentos nessa fase da vida são muito positivos em todos os sentidos. “É um sinal de que para viver em companhia não há limite de idade. Todo mundo quer ter alguém e, com eles, não é diferente. Tenho pacientes que estão muito felizes porque estão com algum parceiro. Isso ajuda tanto na vida sentimental, como na saúde e auto-estima dos idosos, porque um sempre está ao lado do outro”, disse.


DIFICULDADES
Apesar de abertas a novos relacionamentos, as pessoas acima de sessenta anos são mais seletivas na hora de escolherem seus parceiros. “Eles já optam por um perfil específico porque não querem ficar tentando novos relacionamentos”, disse.


Outro problema é a aprovação da família. Parte dos idosos que está amando tenta, a princípio, esconder a relação por medo das reações de seus familiares e amigos. Para a psicóloga Renata Tomazini, a iniciativa de se casarem pode demorar anos. “Isso é muito frequente. Eles temem o preconceito dos filhos e parentes ou têm vergonha e dificuldade de assumirem que estão vivendo uma grande paixão”, disse.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários