Crack: problema sempre presente


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Os números estão aí para provar: o avanço do crack — uma das mais perigosas drogas de todos os tempos, em razão de seu poder viciante, de sua alta letalidade e de seu baixo preço — deixou, já há algum tempo, de ser uma preocupação localizada nos grandes centros — onde proliferam as chamadas cracolândias — para atingir cidades médias e pequenas. Atualmente, é difícil se encontrar uma comunidade que esteja livre desta praga que já atinge contornos de problema de saúde pública, tal o avanço que se verifica principalmente sobre crianças e jovens. A cada dia a faixa etária dos usuários é menor, criando um problema social de difícil solução e agravando outros, como a mendicância e a prostituição infantil.


Reportagem publicada na edição de ontem do Comércio mostra bem a dimensão da questão que se alastra, preocupa autoridades e pais e deixa educadores em estado de alerta. Afinal, ninguém passa incólume pelos estragos que o vício do crack causam (na maioria das vezes, a partir da primeira vez em que é inalado) e as entidades existentes para o tratamento dos dependentes — e Franca abriga nove delas — não podem atender menores (apenas por ordem judicial). E este é o maior grupo dos viciados, ao contrário de anos atrás, quando a faixa etária mais atingida era entre 18 e 20 anos.


Levantamentos recentes mostram que o consumo da droga pode começar aos 7 ou 8 anos, o que torna a situação ainda mais preocupante: o garoto abandona a escola, passa a realizar pequenos furtos ou outros delitos, em casa e fora dela, para conseguir a droga. Antes da morte certa, por conta dos malefícios que a droga causa no organismo destes garotos, muitos tornam-se verdadeiros escravos de traficantes, sendo usados para manter o marginal maior de idade fora da cadeia.


Aqui neste mesmo espaço já alertamos, algumas vezes, para a gravidade do problema. E o fator complicador passa pela ação do Poder Público, que ainda não se inteirou do célere avanço do crack sobre a família brasileira. Antes restrita a camadas mais pobres da população, a droga (uma mistura de cocaína e bicarbonato de sódio) já se dissemina entre classes mais altas.


Um dos caminhos seria a ampliação do tratamento dos dependentes, atingindo inclusive crianças e adolescentes. A conscientização nas escolas, a partir das primeiras séries do ensino fundamental, mostrando a degradação que o crack acarreta, também poderia surtir efeitos. Mas é um duro combate ao tráfico que trazer algum resultado, uma vez que muitos dependentes retornam ao vício logo que deixam as clínicas de reabilitação. Fechar o cerco contra a sua distribuição, restringindo a sua chegada ao consumidor final, será um grande passo para salvar nossas crianças e jovens de um vício mortal.

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