Table Montain já vale a viagem à África


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Cartão-postal - Turistas durante caminhada na Table Montain, na última semana. Vista do local, que tem 1.020 metros de altitude, é de tirar o fôlego - se ainda restar algum após a caminhada de três horas e meia
Cartão-postal - Turistas durante caminhada na Table Montain, na última semana. Vista do local, que tem 1.020 metros de altitude, é de tirar o fôlego - se ainda restar algum após a caminhada de três horas e meia

Refletir é uma tarefa necessária ao espírito. Mas o resultado dessa experiência pode ficar ainda melhor quando se está em meio a um cenário incrível que desafia seu condicionamento físico. Na África do Sul, o lugar perfeito para sentir tudo isso é a Table Mountain, formação geológica com mais de mil metros de altura que influencia a vida cotidiana do povo de Cape Town, serve de referência geográfica para moradores e turistas, além de ser uma maneira bem interessante de manter a forma.


Subir e descer o principal ícone natural da Cidade do Cabo, como a reportagem fez em três horas e meia a pé, é o tipo de presente que você deve dar a si mesmo quando estiver na África. “Se você vem à Cidade do Cabo e não sobe a Table Mountain é como se não tivesse vindo à Cidade do Cabo”, afirma o operador do turismo John Wibberley.


A reportagem começou a caminhada às 10h20, numa perfeita manhã de sábado. Sol cintilante e céu azul garantindo que não teríamos chuva pela frente. Sorte a minha, já que meu All Star Converse perderia toda a aderência diante das pedras, caso estivessem molhadas. Passo a passo, subimos a rota sugerida para quem prefere ir a pé em vez de pegar o Cable Car - um bondinho ao estilo Pão-de-Açúcar, cujo passeio custa 85 randes (R$ 23). Nos primeiros 15 minutos, o corpo ofegante sugere que há um difícil e talvez impossível trabalho pela frente. Se isso acontecer com você, não hesite. Siga em frente. Na primeira hora de caminhada, o corpo até que se acostuma às condições difíceis do terreno, sempre em subida.


É preciso ficar atento ao chão, para pisar nas rochas certas, afinal, logo ao lado, está o penhasco. Mas, vez por outra, é inevitável a parada para respirar, beber água e olhar em volta. Após uma hora de caminhada, chegamos a um ponto em que havia algumas pessoas sentadas. Dentre elas, o sul-africano Ryan, um engenheiro de softwares que vinha de excursão com um grupo de Stellenbosch - a famosa província na rota dos vinhos. Pra variar, me perguntou se eu estava aqui motivado pela Copa do Mundo. Além de sul-africanos, que evidentemente eram os mais preparados a superar a íngreme montanha, talvez por força do hábito, vimos por todo o caminho norte-americanos, ingleses, belgas, espanhóis, nigerianos, brasileiros, etc. É gente do mundo todo querendo conhecer os mistérios da Montanha da Mesa, também chamada aqui por Hoerikwaggo, ou simplesmente Montanha do Mar. Dentre os visitantes mais inusitados, vimos um estrangeiro carregando o filho de três anos nas costas - nada recomendável.


A pausa na escada era apenas uma colher de chá para o trecho mais complicado da subida. Após uma hora e meia de hikking, as pernas começam a ficar trêmulas e você se sente com o dobro do seu peso. Os ventos começam a ficar cada vez mais gelados e intensos, os quais, na sombra, causam um incômodo suficiente que o motiva a andar metros adiante, só para se esquentar nos raios de sol. Lá embaixo, a Cidade do Cabo. Aqui em cima, as gotas d’água escorrem pelas pedras ou voam com o vento. Incrível miragem, assim como a disposição de dois aventureiros atletas que subiam e desciam enquanto ainda fazíamos a primeira parte do percurso.


Às 13h30, finalmente alcançamos o topo, com seus 1.020 metros de altitude. Entre os arbustos e formações rochosas, repousavam tranqüilos dassies, roedores típicos da fauna local (e que incrivelmente são primos dos elefantes), que ainda tem rãs, cobras e uma grande diversidade de insetos. A vegetação local é seca e formada por pequenos arbustos. De cima da Table Mountain, dá pra observar o subúrbio de Camps Bay e ter uma vista privilegiada formada, meio a meio, pelo céu azul e pelo gelado Oceano Atlântico.


No restaurante, o único existente por ali, para comer um cheese-burguer (aberto, no prato) e tomar uma coca-cola, pagam-se 90 randes (R$ 24) . Se bem que lá em cima, depois de tanto esforço, sua fome será tamanha que você nem vai pensar em preço... No almoço, reserve dez minutos para comer e outros 30 só para ficar observando o que tem lá embaixo.

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