Noronha afirma que denúncias são inverídicas


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Acusado pelos promotores do Gaeco de participar da suposta extorsão ao comerciante suspeito de ser o mandante do roubo de couros, o advogado Raimundo Alberto Noronha recebeu o GCN Comunicação ontem. Durante a conversa de duas horas, afirmou ser inocente, chorou e reclamou da atuação do Ministério Público. “É uma maldade o que estão fazendo com o Wanir. As denúncias do Gaeco são totalmente inverídicas”. Acompanhe os principais pontos da entrevista.


Comércio - De acordo com a denúncia do Ministério Público, o senhor, o delegado Wanir e a parte coagida teriam se reunido na sede da DIG para fazerem o acerto. O que aconteceu dentro da delegacia?
Raimundo Noronha - Na reunião que tive com a advogada e a suposta vítima, conversamos na copa da delegacia, sem a participação de nenhum policial, de portas abertas e com a passagem de várias outras pessoas. Não aconteceu nada de irregular. Nunca me reuni com o Wanir.
 

Comércio - Como o senhor foi acionado para fazer o acordo?
Raimundo Noronha -
Por um intermediário do MNDS (suposto coagido) a pedido dele. Fiquei lá uns 30 minutos e ele se propôs a fazer o ressarcimento do roubo.
 

Comércio - Ficou acertado que a dívida de R$ 115 mil seria quitada em três vezes e notas promissórias foram assinadas. O pagamento foi feito?
Raimundo Noronha -
Ele pagou uma no vencimento, parcialmente outra e as demais foram discutidas em juízo. O dinheiro recebido foi repassado à empresa vítima do roubo.
 

Comércio - Quando as notas foram questionadas?
Raimundo Noronha -
Três meses após a emissão. Após decisão judicial dizendo que os títulos são lícitos e que a dívida deve ser paga é que surgiu esta denúncia. Num primeiro momento, quando foi questionar as notas, a advogada mencionou desconhecer a origem. Eu afirmei na defesa que foi ela quem preencheu as notas. A partir daí, ela passou a fazer esta acusação.
 

Comércio - Se não houve irregularidade, por qual motivo o Gaeco acusa o senhor e o delegado Wanir?
Raimundo Noronha -
Do ponto de vista criminal, nada posso dizer pois não participei de nada. Com relação à conduta do Gaeco, creio eu, que deva ser mais uma investigação a respeito da própria atuação da polícia. Neste caso específico, nada ocorreu.
 

Comércio - Como explicar, então, o fato de o Tribunal de Justiça  ter aceitado a denúncia da promotoria?
Raimundo Noronha -
Creio que o Tribunal, numa decisão de cautela para esclarecer totalmente os fatos, preferiu dar sequência à investigação para que tudo fosse apurado.
 

Comércio - O senhor já se encontrou com a suposta vítima de extorsão depois da reunião na delegacia?
Raimundo Noronha -
Várias vezes. Nunca ele me falou da suposta tentativa de extorsão. Diria, até, que a nossa relação é amistosa.

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