Filme aborda situações críticas do cotidiano


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O próximo evento do grupo Cinema e Psicanálise, que acontece amanhã, vai comentar o filme Foi Apenas um Sonho do diretor Sam Mendes e do roteirista Justin Haythe. A plateia é convidada a compartilhar a vida de um jovem casal dos anos 50 com situações críticas do cotidiano a serem resolvidas (carreiras profissionais, planejamento familiar, amadurecimentos pessoais, convívio com amigos e filhos).


Somos colocados como observadores privilegiados, ora vendo o homem, ora vendo a mulher, sem o oferecimento de um vilão ou de uma vítima. Cada um, a seu modo, apresenta o seu motivo, a sua dor, a sua angústia, as suas resoluções.


Insinua-se a questão: o que vale a pena na vida? E respostas que também são questões: Ser feliz agora? Ser feliz depois? Ter sido feliz um dia? O que é mesmo ser feliz?


O filme é arrebatador ao nos apresentar o “sonho” como algo que revitaliza seres que estavam semimortos. Nesse sentido o título brinca com o “apenas”. Um sonho nunca é só; nunca é pouco. A existência dele já indica um potencial de abstração, um potencial de função simbólica. Alcança-se o sonho como um degrau além da realidade, uma possibilidade somada ao concreto e cru cotidiano sem desejos. A realização de um sonho eleva o patamar das vivências ocorridas até aquele momento e ao mesmo tempo inicia outras possibilidades de sonho. E assim entre primeiros sonhos-realidade - outros sonhos e novas realidades, vamos girando e crescendo. Por vários motivos as pessoas param de sonhar ou desvalorizam seus sonhos. O filme trata de um instante assim na vida de pessoas como nós, aquelas que “não fazem mal a quase ninguém” no dizer do poeta.


As interpretações de Leonardo DiCaprio e Kate Winslet flagram com fidelidade a efervescência social ambientada pela película. A era pré-computador, pré-pílula anticoncepcional, antecipa a revolução que virá a seguir. Há um pré-sentimento de mudança no ar em todos os personagens do filme, mesmo nos mais rígidos e tradicionais.


Os vértices dos conceitos ligados a gênero também são focalizados de forma elegante e questionadora. O que é ser mulher, o que é ser homem, o papel do grupo, a pressão sobre cada um de cargas herdadas à religião, à família.
Para a psicanálise, equilíbrio e mudança são bastante compatíveis. Ao traçarem um interjogo complexo entre várias forças arcaicas e atuais da mente, apontam sempre para inúmeras soluções vitais e não apenas “a solução”. Inseridos na profusão de sentimentos emergidos de um conflito, nem sempre visualizamos os diversos desfechos possíveis e nos fixamos a proposições muito simples ou muito mágicas. De novo, o filme é generoso em colocar aos nossos olhos várias saídas para “viver a vida”, incluindo o olhar da loucura, do non-sense.


A tarefa de fomentar a discussão de Foi Apenas um Sonho caberá à psicanalista Maria Lucimar Fortes Paiva, de Ribeirão Preto. Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise e professora Universitária da Universidade de São Paulo, USP, ela trará um olhar crítico e aguçado e estará aberta à discussão com todos.

SERVIÇOS
Evento: Cinema e Psicanálise
Filme: Foi Apenas um Sonho
Quando: neste sábado, dia 22
Horário: 15 horas
Onde: sede campestre do Centro Médico de Franca
Inscrições: R$ 5
Informações: (16) 3723-2815

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