Duas intrincadas denúncias envolvendo extorsão e enriquecimento ilícito atingem uma espécie de símbolo da Polícia Civil na região de Franca: o delegado Wanir José da Silveira Júnior. Alçado ao posto de seccional de Ribeirão Preto em janeiro deste ano, Wanir se afastou na última sexta-feira. Ele disse que se recupera de um estresse profundo causado pelo excesso de trabalho e garante ser inocente de todas as acusações.
O afastamento de Wanir coincide com novos desdobramentos nas duas denúncias contra ele. Na primeira, o delegado é acusado de extorquir junto com colegas da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca pessoas envolvidas com desmanches de veículos e comercialização de CDs e DVDs piratas. O inquérito, aberto em maio de 2008, ainda está na Corregedoria da Polícia Civil e aguarda conclusão.
No segundo caso, mais complicado, ele é réu em um processo criminal, a partir de uma denúncia feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) em setembro de 2008. Segundo os promotores de Justiça, Wanir agiu junto com o advogado Raimundo Alberto Noronha para extorquir um comerciante suspeito de ser o mandante de um roubo de carga. Para não ser preso, ele teria pagado R$ 115 mil para o advogado. Ainda de acordo com o Ministério Público, o delegado assistiu a negociação e, após o acerto do pagamento a Noronha, indiciou o comerciante por receptação, em vez de roubo, deixando-o livre.
Procurado incessantemente durante toda a tarde de ontem, o advogado Raimundo Noronha não foi encontrado em seu escritório, em casa nem no telefone celular.
Wanir nega todas as acusações. Em silêncio desde que pediu afastamento, ele concedeu entrevista, ontem, ao GCN Comunicação e falou sobre o caso. O policial se defende, chamando atenção para a origem das acusações. “Por causa da minha atuação firme como delegado há muitas pessoas que não gostam de mim e fazem denúncias sem fundamento. Sempre fui muito equilibrado e durmo com a consciência tranquila, pois sei que não devo nada disso”, disse Wanir.
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