Cautela e caldo de galinha


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Embora as últimas declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, coloquem o País ao largo de uma contaminação pela crise européia, por conta do auxílio à Grécia (até o Brasil emprestou dinheiro para a o país conseguir equilibrar suas finanças), a movimentação da economia no Brasil, nos últimos dias, recomenda cautela. A deterioração das finanças mundiais, menos de dois anos atrás — por conta da quebradeira dos bancos norte-americanos provocada por empréstimos imobiliários —, ainda é recente e permanece como uma sombra em nível global.


Um dos primeiros dados de que a economia brasileira não navega em águas plácidas vem da CNC (Confederação Nacional do Comércio). De acordo com a entidade, com o aumento do consumo impulsionado pelo crédito, mais brasileiros ficaram endividados e inadimplentes neste mês. O crescimento ainda é pequeno (o percentual de famílias que declararam possuir dívidas subiu de 58% em abril para 58,7% em maio, e daquelas com débito em atraso passou de 24,4% para 25,1%0, mas deve ser observado. Os dados da pesquisa, feita com 17.800 consumidores desde janeiro deste ano, são coletados em todas as capitais do país e no Distrito Federal.


O financiamento fácil e a grande oferta em prazos elásticos, que são situações excelentes para movimentar a economia, levaram muita gente às compras, principalmente das camadas menos favorecidas economicamente. Diante da oferta do crédito (e a queda do IPI para carros, eletrodomésticos e móveis foi responsável por isso), o trabalhador lançou-se à compra. A preocupação agora é conseguir honrar o débito. A crise global pode ser sentida apenas como uma ‘marolinha’ por aqui. Mas precauções devem ser tomadas para que os milhares de brasileiros endividados consigam quitar suas pendências e evitem o surgimento de um tsunami mais à frente.


Os últimos dias tem registrado quedas consecutivas dos índices da Bolsa de Valores de São Paulo. O Ibovespa (que reflete os preços das ações mais negociadas) fechou em queda de 1,89% ontem, atingindo o menor nível em oito meses. Ao mesmo tempo, a taxa de câmbio brasileira emendou ontem o quinto dia consecutivo de alta, fechando em R$ R$ 1,838, valor que representa alta de 0,87% sobre a cotação de anteontem. Desde o dia 12 (quando a cotação caiu pela última vez) a taxa cambial já valorizou 3,6%. Juntos, os três números podem indicar que seja prudente ter cautela, que não faz mal a ninguém.


No início da crise de 2009, neste mesmo espaço. o Comércio recomendou atenção maior aos gastos e à tendência de que as ofertas têm que ser aproveitadas. Tal como a formiga que preferiu armazenar a se divertir e consumir, o brasileiro precisa segurar o seu ímpeto consumista para não acabar como a cigarra cantora e sonhadora, morta de frio. São necessárias calma, tranquilidade, paciência e, sobretudo, responsabilidade para enfrentar os tempos que virão.

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