Um roubo de carga e muita confusão


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O roubo que resultou no processo de extorsão contra o delegado Wanir José da Silveira Júnior e o advogado Raimundo Alberto Noronha ocorreu há cinco anos. Na madrugada do dia 6 de agosto de 2005, um caminhão com 3.250 metros de couro da indústria Mariner - avaliados em R$ 150 mil - e dois automóveis (recuperados em seguida) foram roubados por uma quadrilha de homens armados no Jardim Paulistano.


Dois meses após o roubo da carga, a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca identificou e pediu a prisão temporária de quatro suspeitos, entre eles, Flávio de Souza Custódio. Ele foi preso em 9 de outubro de 2005 e revelou na delegacia que o mandante do crime seria o comerciante MNDS. Segundo o informante, MNDS teria inclusive fornecido armas e recebido toda a mercadoria roubada.


Pela acusação feita à Justiça, o delegado não pediu imediatamente a prisão do comerciante e avisou Noronha sobre a suposta participação dele no crime. O advogado, então, teria iniciado as negociações para que MNDS devolvesse o couro roubado à Mariner.


A advogada do comerciante, Sanaa Chahoud, disse aos promotores que participou de uma reunião na qual, além de Noronha, também estiveram presentes Wanir e outros policiais. Chahoud revelou que durante o encontro, Wanir e Noronha pressionaram MNDS a pagar pelo couro. Do contrário, seria preso, a exemplo de Flávio.


O comerciante não teria concordado e, em 11 de outubro, sempre segundo os promotores, Wanir pediu a prisão, alegando que o comerciante teria participado ativamente do delito e que a prisão poderia levar ao local onde o produto do roubo estaria escondido. O comerciante foi preso em 17 de outubro. Noronha esteve na delegacia e renovou a proposta de ressarcimento: pagar os R$ 150 mil ou ir para a cadeia. O comerciante finalmente teria cedido. O acordo seria o pagamento de R$ 115 mil, pagos em três parcelas: R$ 35 mil à vista, no dia 21 de outubro; R$ 40 mil, em 6 de novembro; e outros R$ 40 mil no dia 21 de novembro. Notas promissórias foram emitidas por Sanaa em nome de Noronha.


Resolvida a questão financeira, Wanir teria registrado no inquérito que MNDS comprou de Flávio parte do couro roubado. O delegado também promoveu a acareação entre os dois, no dia 18 de outubro, e Flávio retirou a acusação contra o comerciante. Assim, Wanir indiciou por roubo e pediu a prisão preventiva apenas dos quatro suspeitos iniciais. MNDS foi indiciado por receptação, não foi preso e o inquérito referente a ele foi arquivado pouco depois.


Três anos depois, uma denúncia anônima relatando o que teria ocorrido naquela ocasião chegou ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado) que começou a investigação. No dia 29 de setembro de 2008, Wanir e o advogado Raimundo Noronha foram denunciados à Justiça e começaram a responder ao processo que segue até hoje.

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