O senador Romeu Tuma (PTB), vice-presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia, disse ontem ao GCN Comunicação que o padre José Afonso Dé pode ser interrogado na próxima semana em uma audiência pública em Franca. A confirmação e a data da diligência devem ser divulgadas na tarde de hoje. Junto com o interrogatório também está prevista uma acareação entre o religioso e os jovens que o acusam. Padre Dé, que no dia 9 de maio completou 75 anos, foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável (no caso dos menores de 14 anos) e atentado violento ao pudor mediante fraude (para supostas vítimas acima de 14 anos).
Tuma esteve em Franca na quinta-feira passada para conhecer o inquérito do caso. Na oportunidade, conversou com a delegada Graciela Ambrósio e com o promotor José Lourenço Alves, que acatou a denúncia da Polícia Civil. Mediante a elaboração de um relatório, que será apresentado hoje à CPI, em Brasília, o senador julgou ser necessária uma acareação. “Vou sugerir, pois há convencimento da prática (do crime) e a acareação vai conseguir dar uma base mais forte para o processo”. O senador disse ainda que deseja verificar o depoimento dos pessoas abusadas fora de Franca.
Para a vinda à cidade, a CPI organizará um esquema especial que dará ênfase à proteção das vítimas e terá a participação de uma equipe especializada, contando inclusive com psicólogos. O padre e os meninos deverão ser ouvidas no Fórum ou no plenário da Câmara. A oitiva pode durar até dois dias. “Normalmente o interrogatório é aberto.
Vamos pedir autorização ao juiz. Já a acareação poderá ser fechada para preservar os menores”, disse Romeu Tuma.
Segundo o senador, o padre não pode negar sua participação na CPI, mas pode se recusar a criar provas contra si. Apesar de repudiar atitudes de pedofilia envolvendo sacerdotes e discursar a favor do Dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, comemorado ontem, Tuma defendeu a Igreja Católica. “Queremos separar a Igreja do padre pedófilo que usa batina. Falei com o bispo da diocese (de Franca) por telefone e ele não fez nenhum pedido, inclusive agradeceu a minha presença em Franca”.
DEFESA
O advogado do padre José Afonso Dé, Eduardo Caleiro, disse na noite de ontem que até o momento ninguém entrou em contato com ele ou seu cliente para uma eventual convocação à CPI. “Ninguém procurou o padre ou mesmo seus advogados, mas como cumpridor dos seus deveres, ele atenderá ao chamado oficial”. Caleiro disse ainda que prepara a defesa do religioso, que deverá ser entregue ao juiz até sexta-feira. “Estamos dentro do prazo, todavia não posso falar sobre o caso porque corre em segredo de Justiça”.
Colaborou Fernanda Bufoni
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