Requerimento 171/10


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Ilustríssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal: requeiro (esse não é o início recomendado para um requerimento. Primeiro, deve vir o nome e a qualificação do requerente. Depois, o verbo requerer ou outro sinônimo, sempre na terceira pessoa do singular: requer, pede, solicita etc. Mas cada vereador requer como quer) à mesa, tendo ouvido antes o Douto Plenário, seguindo de maneira cabal a Norma Regimental 001/09, de proposta coletiva, com aprovação plena e equânime dos componentes, independente da cor partidária, por ser aqui uma Casa de Leis justas aos legisladores da causa própria (não confundir com a casa própria, financiada pelos órgãos sociais, que tantos votos já proporcionou a vereadores, quando não, o próprio mandato), que com a prestes inauguração da sonhada sede da Câmara Municipal em local arejado, com janelas para todos os pontos cardeais e, mais importante, longe da Prefeitura, fator esse que espero possa acabar com os costumeiros recados do prefeito para aprovar petições com rapidez, estabeleça doravante a proibição da entrada da população em geral nas dependências da nova Casa legislativa desta nossa cidade.


Justifico: como o Excelentíssimo Sr. Presidente já outorgou novos procedimentos de exigência da identificação prévia dos enxeridos repórteres para adentrar o imóvel da Câmara, bem como também restringiu a circulação plena do pessoal dos meios de comunicação no reduto desta casa e também numa canetada só normatizou a proibição de os próprios funcionários desinformados passar informações descabidas e escabrosas à imprensa, em projeto referendado pela maioria, havendo tão somente um trio dissonante, nada mais agora resta à nossa nobre representatividade do que propor à excelsa mesa de trabalhos para o dia da Graça de hoje, logo na abertura dos trabalhos, a votação em caráter de urgência urgentíssima da viabilidade de se afastar de vez a população do prédio da Câmara. Justificativas para esta nova atitude não faltam. A prática cotidiana de cada nobre colega, junto à constante expansão de nossas atividades perante as bases, comprova de antemão que ninguém vem aqui para ajudar, mas tão somente para pedir. O povo pensa que pelo fato de ter direito a votar de quatro em quatro anos pode ficar pedindo a torto e a direito. Já não basta a gente não poder andar pela cidade tranquilamente sem ser abordado à cada passo por alguém com algum pedido. As solicitações são tantas que já fiquei craque em escrever requerimento, não só para a presidência desta nossa Casa, mas principalmente para a Prefeitura. No entanto, nunca é demais lembrar o peso dos atendimentos aqui na própria Câmara. De caminhão de terra a fraldas descartáveis, querem de tudo. Para dar um basta definitivo nesse clientelismo inoportuno para a democracia total e irreparável de nossas votações semanais, reitero a necessidade de se proibir a presença de estranhos nos dias de seções. Assino o presente requerimento juntamente com a maioria dos nobríssimos colegas.

 

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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