A Corregedoria da Polícia Civil pediu o afastamento do delegado titular do 2º DP, Benedito Carlos Quiodeto, 52, e do investigador Antônio Amaro Crispim, 44, do 3º DP, de suas funções nos distritos. Os dois perderam seus distintivos e armas no último dia 27 e, desde então, estão limitados à realização de serviços burocráticos junto à Delegacia Seccional de Franca. A restrição ao trabalho dos policiais é resultado da conclusão das investigações sobre o envolvimento deles no furto de quatro máquinas caça-níqueis, que estavam guardadas dentro do pátio de veículos da Seccional de Franca, no dia 22 de maio de 2008.
De acordo com o delegado corregedor do Deinter 3, Marcos Camargo Lacerda, a conclusão e o envio do inquérito ao Ministério Público não parou a apuração interna do caso pela polícia. “Como verificamos indícios de que eles teriam cometido irregularidades, continuamos a investigar”, afirmou ontem o policial ao GCN Comunicação. O levantamento de informações culminou com a instalação de um processo administrativo e disciplinar no fim do mês passado. “Os dois foram afastados para que possam se dedicar exclusivamente à defesa e para não interferirem na produção de provas”, disse o corregedor da Polícia Civil.
A Corregedoria tem 90 dias, prorrogáveis por mais 90, para concluir o processo. Se forem declarados culpados, os policiais podem receber punições que vão desde advertência e repreensão até demissão.
Desde o início deste mês, Quiodeto atua no Setor de Identificação da Polícia Civil - responsável pela emissão de RGs e certidões de Antecedentes criminais. O inspetor Antônio Amaro Crispim foi transferido para a delegacia seccional.
PROCESSO CRIMINAL
Paralelamente à apuração interna da Polícia Civil, a Justiça recebeu, em setembro do ano passado, a denúncia feita pelo Ministério Público contra o delegado e o investigador. Este mês, o processo chegou à 1ª Vara Criminal de Franca. “O MP agora toma ciência do desenrolar do processo e eles deverão ser citados”, disse o promotor Cláudio Scavassini.
O crime do qual os policiais são suspeitos aconteceu no dia 22 de maio de 2008. Por volta das 22 horas, dois homens invadiram o pátio de veículos da Delegacia Seccional de Franca e roubaram quatro máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas durante operações anteriores. Na época, Quiodeto era titular do 1º DP e Crispim, chefe dos investigadores. Ambos foram removidos da unidade em que trabalhavam porque havia indícios de que teriam facilitado a ação dos ladrões. Os dois estavam de folga no dia do furto, mas foram vistos por uma testemunha transportando os equipamentos da delegacia para o local de onde elas foram subtraídas horas depois. Na época, Quiodeto admitiu em entrevista ter ido à delegacia para resolver problema particular e aproveitado para colocar as máquinas na garagem. A alegação é de que atrapalhavam o atendimento ao público.
Ontem à noite, a defesa dos policiais falou sobre o caso. “A defesa está constituída e plenamente segura da improcedência das acusações e o alarde exagerado da situação traz prejuízo à presunção de inocência e eventualmente prejuízos irreparáveis. Por isso, é preciso cautela para não se fazer juízos antecipados”, afirmou o assistente de defesa, Adauto Casanova, que age junto com o advogado Reginaldo Carvalho.
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