Na década de 1970 uma ampla campanha foi realizada no Brasil contra os maus hábitos, utilizando um personagem, o Sujismundo, como símbolo da sujeira, do desmazelo. Menos de quarenta anos depois, vemos que foi inócua. O cidadão brasileiro continua jogando lixo nas ruas, causando muito mais problemas do que se pensa. Não é só no aspecto visual que a cidade acaba prejudicada. Grande parte do material descartado na rua tem um destino comum: as galerias de esgoto que entopem e, em épocas de chuvas, não conseguem dar vazão ao volume de água. Resultado: grandes enchentes, casas e ruas alagadas, obrigando muitos a abandonarem as residências. Além disso, a saúde também é afetada em razão das doenças causadas por causa da água suja que transborda das bocas-de-lobo.
Este é o problema grave que Franca pode enfrentar em pouco tempo, diante da má-educação de muitos francanos que, à maneira do Sujismundo, atiram nas ruas, sarjetas, terrenos baldios e até direto nas bocas-de-lobo todo o tipo de material — sacolas plásticas, papéis, latas de alumínio e tocos de cigarros, entre outros. Com frequência o francano se depara com terrenos baldios atulhados de materiais como cadeiras quebradas, restos de demolição e até colchões e sofás velhos em meio ao mato - outro desleixo. O francano descarta seu lixo de forma indiscriminada e irresponsavelmente.
O volume de lixo não apenas espanta, também preocupa muito, pois pode atrair animais peçonhentos e pequenos roedores, capazes de contaminar o ser humano com doenças graves. Não é o caso de reclamar a inexistência de lixeiras nas vias públicas. Muito do material descartado vem do interior das casas, como roupas e móveis, atirados sem nenhum critério nas calçadas e nos terrenos sem construção.
Informações da Prefeitura Municipal dão conta de que são gastos R$ 350 mil todos os meses com varrição, manutenção e conservação das ruas: a falta de civilidade custa caro. A atitude grosseira, que reflete a total ausência de consideração para com o outro, e de cuidado com o espaço de uso comum, certamente terá consequências no futuro de Franca e das gerações que vêm por aí. Sem consciência ambiental, sem um mínimo de educação, a mudança esperada não virá com a próxima geração, talvez nem com as subsequentes. Assim como Sujismundo, o francano não se preocupa com o que pode acontecer nos próximos anos. Nem os exemplos de São Paulo, Rio de Janeiro e diversas outras cidades do País, onde chuvas são sinônimo de enchente e transtornos aos seus moradores, servem para avivar a consciência de que o lixo jogado nas ruas hoje pode ser causa de tragédias num amanhã bem próximo.
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