Diversas técnicas do teatro de animação e quatro contos do livro Primeiras Estórias (publicado em 1962), de Guimarães Rosa, estão reunidos no espetáculo Primeiras Rosas, da Pia Fraus. A montagem será exibida hoje, às 20 horas, e amanhã, às 19 horas, no Teatro do Sesi de Franca, com ingressos gratuitos.
Baseada na obra do escritor brasileiro, a peça é livre interpretação de quatro contos curtos: As Margens da Alegria, A Terceira Margem do Rio, O Cavalo que Bebia Cerveja e, como ligação entre eles, Sequência. Cada conto é dirigido por um diretor de diferente formação e região, mas diretamente ligados ao teatro de bonecos.
São eles: Alexandre Fávero, da Cia. Lumbra (Porto Alegre-RS), que dirige As Margens da Alegria utilizando a técnica de teatro de sombras; Miguel Vellinho, da PeQuod (Rio de Janeiro-RJ), que une a integração da interpretação de ator a um rigoroso trabalho de confecção e manipulação de bonecos para narrar A Terceira Margem do Rio; Carlos Lagoeiro, do Teatro Munganga (Holanda), que utiliza pequenos bonecos manipulados em frente ao público e projetados em telões para contar a origem da história O Cavalo que Bebia Cerveja; e, por fim, Wanderley Piras, da Cia da Tribo (São Paulo-SP), que costura esquetes, fragmentando Sequência, a história de uma vaquinha que tenta retornar ao seu lugar de origem.
Cada quadro de Primeiras Rosas tem seu estilo de linguagem e técnica de manipulação de bonecos, além de uma estrutura independente, constituída por uma equipe de criação que conta com quatro diretores de arte diferentes. Mais de 60 bonecos foram produzidos a partir de diversas técnicas de animação e são manipulados por seis atores que se revezam entre os personagens e contos retratados no espetáculo. A figura de Guimarães Rosa também entra em cena.
“Pretendemos criar várias leituras para esse universo tão rico do autor. Procuramos mostrar sensações que estes contos nos provocam. Não contamos as histórias tais como são, traçamos um universo paralelo com outras situações sugeridas pelo autor e que, normalmente, não são associadas ao seu trabalho”, explica Beto Andreetta, fundador da Pia Fraus e autor da concepção da montagem.
“O ambiente do interior do Brasil durante a construção de Brasília, caracterizado por sua transição entre o rural e o urbano, e a Segunda Guerra Mundial são exemplos de imagens pouco associadas à obra do autor, marcado principalmente por sua subjetividade e pela profunda representação do sertanejo, mas que refletem a vivência do próprio autor”, exemplifica Beto.
No espetáculo, que comemora os 25 anos do grupo, os contos são trabalhados de forma não-linear e narrados com ênfase nas imagens, praticamente sem o uso da palavra, usada apenas em momentos específicos com o intuito mais de criar sonoridades do que de revelar contextos.
O Sesi de Franca fica na Avenida Santa Cruz, 2870 - Vila Santa Cruz. Os ingressos gratuitos são distribuídos uma hora antes do início do espetáculo, que não é recomendado para menores de 14 anos. Informações: (16) 3721-1444.
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