Por meio de torpedos enviados por seu celular particular, o prefeito de Ibiraci (MG), Ismael Silva Cândido (PT), transmitiu o seguinte recado às 20h30 de ontem: “A justiça divina não falha. Avise a nossa gente que vencemos mais uma batalha”. Ele se referia à decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais que manteve a liminar que o garante no cargo até o julgamento final do processo que responde por compra de votos.
Os desembargadores do TRE se reuniram, ontem à noite, em Belo Horizonte, para julgarem a ação cautelar que mantinha Ismael no cargo. Caso a liminar fosse derrubada, ele seria obrigado a deixar a Prefeitura. Como até mesmo o autor da ação que culminou com sua cassação em primeira instância previa, a Corte decidiu pela manutenção.
Desta forma, o prefeito está garantido até o julgamento final. “Foi uma decisão unânime dos sete juízes. A manutenção da cautelar confirma que a Justiça tarda, mas não falha”, afirmou o advogado Denílson Carvalho.
Ainda não há uma previsão de quando acontecerá o julgamento do mérito do processo. Como a própria Procuradoria já manifestou que as provas contrárias são frágeis, a defesa acredita que o caso caminha para a absolvição. “A decisão tomada hoje (ontem) pelo TRE é um forte indício de que o prefeito e o vice vão continuar no cargo até o fim do mandato. Ficará provado que ambos são inocentes e que foram acusados injustamente. Eles vão continuar trabalhando para o desenvolvimento da cidade”, finalizou Carvalho.
Ismael Cândido deixou Belo Horizonte ainda na noite de ontem rumo a Ibiraci, onde tinha chegada prevista para a madrugada. Sua assessoria informou que ele deverá despachar normalmente na Prefeitura hoje. Desta vez, nenhuma comemoração está programada. Quando obteve a liminar para ficar no cargo, três dias após ser cassado pelo juiz da Comarca de Ibiraci, o prefeito chegou à cidade de helicóptero e diante de foguetório.
CASSAÇÃO
Ele e o vice, Altemir Tanja Cintra (DEM), foram cassados no dia 21 de fevereiro acusados de compra de votos. O prefeito sempre negou os fatos, afirmando que tudo não passava de armação de Tonin Garcia (PMDB), o candidato derrotado nas eleições de 2008.
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