Conservar


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Quando o Papa João Paulo II visitou o Brasil, observou que a fé dos brasileiros é sustentada pela emoção. É uma espécie de fé estética, lúdica. Essa ótica permite entender porque os cristãos não sabem se defender, nem tampouco defenderem a fé que professam, principalmente quando o cristianismo sofre ataques em todas as frentes, como é agora.


Qualquer afronta ao Profeta Maomé faz com que seus seguidores se revoltem ao ponto de emitirem uma fátua (edito religioso), declarando guerra àqueles que praticaram as agressões. Os cristãos, não. Agem de acordo com os apóstolos dos primeiros dias após a morte de Cristo. Escondem-se, amedrontados. Poucos são capazes de enfrentar a situação e declararem que são cristãos, defendendo a fé e a pessoa de Cristo.


É certo que não há remédio para o medo, de acordo com especialistas. No entanto, os estudiosos do Cristianismo afirmam que o único remédio para o medo é a interferência do Espírito Santo na vida da pessoa. Isso aconteceu na primeira aparição de Jesus aos apóstolos após a ressurreição, quando eles ainda se encontravam trancados em casa com medo da perseguição dos judeus e dos romanos. Um sopro de Jesus, todos se encorajaram e saíram a pregar a Boa Nova. Isso se deu também no Pentecostes.


Pois bem, quando o cristão diz que crê, ele precisa saber porque crê. Clemente de Alexandria disse que ‘a filosofia é o pedagogo que nos conduz a Cristo’. O que fez Santo Tomás de Aquino na Idade Média? Seguiu o conselho do citado pensador, sem o saber. Esse grande teólogo foi capaz de ‘batizar’ o pagão Aristóteles e declarar que aprendeu com ele. Isso tudo está no livro Introdução ao Cristianismo, de Josef Ratzinger, atual papa Bento XVI.


A filosofia, principalmente a aristotélica, vai depurando o entendimento daquele que se preocupa em descobrir a verdade e vai conduzindo o estudioso, aos poucos, ao caminho do raciocínio correto. Portanto, é necessário conservar. Não destruir o edifício intelectual que foi erguido ao longo de milhares de anos para implantar uma nova forma de ver e de viver não só a fé, mas também de procurar pela verdade e interpretar a realidade.


Importante não perder de vista que a realidade material dos dados históricos oferece uma pálida noção do que realmente é. Ela conduz à falsa sensação de que Deus não tem mais função no mundo. A ciência e a política se apresentam como a ‘nova religião’, Deus totalmente dispensado. Confiar nos mistérios de Deus e em toda a sua incompreensibilidade, diz o citado autor, pode poupar a humanidade de muitos horrores aos quais já esteve exposta, e que a única sensação que reinou desde então foi a de que a criatura humana é limitada em fazer o bem, porém ilimitada quando se trata de praticar o mal.


Dessa forma, é necessário que aquele que se diz cristão procure estudar o Cristianismo em sua verdadeira essência para defendê-lo dos ataques sistemáticos que vem sofrendo, até porque – e poucos sabem – a idéia é a de implantar uma religião mundial biônica, onde todos acreditem em tudo e em nada ao mesmo tempo.


Para se ter uma idéia do ataque demoníaco ao Cristianismo, em alguns estados americanos é vedado ao capelão orar em nome de Jesus. Aqui, nem é preciso dizer que ser cristão é ‘politicamente incorreto’.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

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