Moradores transformam terreno, mas prefeitura intervem


| Tempo de leitura: 2 min
MAIS LIMPA E ÚTIL - Imagem mostra área da Rua Martiminiano Francisco, no Jardim Santa Adélia, com árvores plantada pelos moradores que tambem tinham colocado mesa e cadeiras num terreno público abandonado. Prefeitura ordenou a retirada da mesa
MAIS LIMPA E ÚTIL - Imagem mostra área da Rua Martiminiano Francisco, no Jardim Santa Adélia, com árvores plantada pelos moradores que tambem tinham colocado mesa e cadeiras num terreno público abandonado. Prefeitura ordenou a retirada da mesa

Cansados de conviver com mato alto, bichos, entulhos e mau cheiro em frente às suas casas, um grupo de 15 moradores do Parque Santa Adélia decidiu arregaçar as mangas e tentar se livrar dos incômodos. Juntos, promoveram uma transformação num dos lados de um extenso terreno público existente no bairro há aproximadamente dez anos. Ampla, a área é maior que um quarteirão. No trecho localizado na Rua Martiminiano Francisco de Andrade, os vizinhos retiraram os lixos, carpiram o mato e plantaram flores, coqueiros e árvores frutíferas.


Depois que uma das espécies ficou grande, decidiram instalar uma mesa de concreto com banquetas. Aos sábados, costumavam aproveitar a sombra fresca da árvore para bater papo. Entregadores de gás no bairro usavam o espaço como mini refeitório para almoçarem. Clientes de uma mercearia localizada em frente ao terreno compravam bebidas e consumiam na mesinha. Essas cenas não serão mais vistas no local. Há cerca de 15 dias, a dona da mercearia Adriana do Carmo, 43, foi notificada pela Prefeitura e obrigada a retirar a mesa no prazo de sete dias. Se não cumprisse a ordem, pagaria multa e a Prefeitura faria a retirada. Ela cumpriu a determinação, mas lastimou a decisão. “Parece que fizeram uma denúncia. Realmente o pessoal pegava bebida e ia tomar lá, mas não tinha bagunça. Ficamos chateados com a retirada (da mesa) porque a gente estava pensando num bem, não num mal”, disse.


A pespontadeira Sirlene de Almeida, 52, mora em frente ao terreno há 26 anos e não concordou com a determinação da Prefeitura. “De vez em quando, a gente sentava nos bancos e ficava conversando. Agora a gente não tem mais onde sentar. O que é que tem deixar a mesinha ali?”. Segundo ela, antes dos moradores começarem a cuidar da área, o terreno era tomado pelo mato e bichos mortos. “Era horrível, inclusive matei até cobra dentro do meu quintal que saiu deste terreno”.


O comerciante aposentado José Roberto Martins, 54, também discordou da retirada da mesa. “O povo está revoltado porque se a Prefeitura não está fazendo nada, nós que moramos em frente ao terreno, estamos fazendo algo. A Prefeitura tinha é que oferecer alguma coisa para nós e não exigir que desmanchemos o que está pronto”.


No amplo terreno apenas um trecho está cuidado, com mato podado pelos vizinhos. Nessa área há plantas com flores, árvores com frutos, como mamão, romã e goiaba. Até uma horta comunitária é cultivada no local. Numa pequena parte cimentada, onde ficava a mesa com os quatro banquinhos de concreto, restaram apenas a marca da mesa. Se quiserem se sentar, os moradores e visitantes tem como alternativa o chão. No restante do lote, o mato está alto e há diversos tipos de lixo depositado por populares. “Essa imundice que você está vendo na outra parte do terreno era pior aqui. As pessoas jogavam entulhos e até cachorro e gato mortos. Resolvemos cuidar, melhorar”, disse José Roberto.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários