Trabalhadores qualificados sempre valorizam uma profissão e o trabalho que executam, mas é preciso que tal qualificação se estenda por todas as etapas do processo. Não só os operários da construção civil francana necessitam de estudo e especialização. Também os engenheiros e arquitetos. Uma rápida olhada nas construções, principalmente residenciais, em Franca, nos mostra a falta de criatividade e o pouco conhecimento deles. Reparem nas fachadas das casas onde o que muda é só a cor do muro e do portão da garagem. Além disso, cômodos 'poligonais' irregulares prosperam sem nenhum motivo aparente. Da mesma forma, engenheiros parecem desconhecer as técnicas de concreto armado e abusam de bate-estacas onde podiam ser feitas sapatas em concreto. As ferragens em colunas são superdimensionadas, fazendo parecer que será erguido um prédio de 5 andares onde só haverá uma casa térrea. Parece que não existe cálculo estrutural prévio. Contribuem para tal arquitetura e engenharia 'exóticas' os responsáveis por loteamentos que se propagam pela cidade, configurando terrenos tipo 'salsicha' (pouca frente e muito de fundos), fazendo com que as casas tenham, obrigatoriamente, dois corredores laterais e pouquíssima ventilação e iluminação. Escrevo isto pois estou tendo dificuldades em achar terrenos que se adaptem a projetos arquitetônicos outros, diferentes dos atuais estilos da arquitetura francanos. Assim, todo o processo de construção local acaba encarecido logo ao início (projeto), dificultando maiores investimentos e desestimulando futuros proprietários residenciais vindos de fora da cidade.
Marco Antônio Fornaciari
Rio de Janeiro - RJ
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