Bolo de mexerica


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Fruta perfumada começa a aparecer nas feiras e pode render pratos com personalidade
Fruta perfumada começa a aparecer nas feiras e pode render pratos com personalidade

Gosto muito de ir à feira da Major Nicácio, que acontece em nossa cidade todos os domingos, há décadas. Gosto principalmente de ir nesta época de manhãs claras e ar que parece filtrado, por onde os aromas evolam mais puros. À queda dos termômetros no começo do outono corresponde o aparecimento das primeiras mexericas, as enredeiras, aquelas que só dão o ar de sua graça durante três semanas, no máximo, deixando saudades no resto do ano. Luiz Neto, nosso colega de redação, nos explica, quando o assunto surge na reunião de pauta, que os  galhos se carregam e dobram, os pés são geralmente baixos,  as frutas demoram a passar do verde ao amarelo. E depois de maduras devem ser rapidamente consumidas, pois logo murcham.


A casca das enredeiras fica coladinha nos gomos, não há entre uma e outros aquela rede rendada das pocãs, que facilita o descascar. Até parece a delicada relação de mães e filhos. O perfume é único, sentido à distância. Por isso se diz que é fruta que não se come às escondidas; e daí o apelido para a mexerica-cravo: enredeira. Ela faz alarde de si, anuncia-se com força, é o contrário da discrição. O sabor também difere das outras espécies, pois são mais ácidas e suculentas. Com estas frutas podemos fazer sucos solares, caipirinhas exóticas, molho dourado para lombo assado ou bolo cheiroso para acompanhar xícara de chá, chocolate, café (por falar em café, que delícia é esta nova marca francana, o Santé!)


Para fazer o bolo você vai precisar de seis mexericas. Três serão parte da massa. As outras, da cobertura. Corte as mexericas ao meio. Com a ponta de uma faquinha retire as sementes. Elas ficam todas ao centro, em volta do miolo branco. Coloque as metades das frutas (sim, com a casca) no copo do liquidificador. Junte os ovos inteiros, quebrando-os antes numa tigelinha para atestar se estão frescos. Acrescente o óleo e o açúcar. Bata durante um minuto. Numa vasilha peneire a farinha e o fermento. Vá juntando a mistura do liquidificador aos poucos, até que esteja tudo bem homogêneo. Unte uma forma com óleo, polvilhe farinha, despeje a massa. Leve a assar em forno quente durante os primeiros vinte minutos, diminua depois a chama e deixe por mais vinte. Enquanto esfria, faça a calda. Misture o suco das três mexericas restantes, uma xícara de água, três colheres de açúcar, uma colher (sobremesa) de amido de milho. Leve ao fogo baixo e mexa sem parar até engrossar. Desenforme o bolo morno e cubra-o com a calda. Enfeite com raspas de mexerica.

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