África do Sul: um mundo diferente


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DIVISÃO ACENTUADA - Engraxates negros atendem clientes brancos, enquanto funcionário do Aeroporto de Joanesburgo, também negro, anda pelo corredor
DIVISÃO ACENTUADA - Engraxates negros atendem clientes brancos, enquanto funcionário do Aeroporto de Joanesburgo, também negro, anda pelo corredor

Após oito horas de voo pelo luxuoso avião da South Africa Airways, a reportagem do GCN Comunicação desembarcou no pujante aeroporto de Joanesburgo na sexta-feira. Depois de pedirmos informação e passarmos pela primeira triagem da polícia local, chegamos enfim à esteira de bagagens. Fomos com pressa porque o extravio era a nossa principal apreensão dado o que a mídia brasileira tem dito sobre o assunto. Mas tudo deu certo.


Pelo caminho, vimos uma cena inusitada, que destoava um pouco do estilo moderno do aeroporto: uma seqüência de engraxates com seus clientes sentados em poltronas de couro. Uma passadinha ali custava 15 rands (R$ 3,57).


Outros funcionários do aeroporto, todos negros, ofereciam ajuda insistentemente. Um deles, Monakeli, nos levou até o check in da companhia e até indicou um lugar para comprarmos chip para celular por apenas 1 rand (R$ 0,24). Porém estávamos com pressa e decidimos fazer o embarque logo. Antes de ir embora, Monakeli, claro, pediu uma gorjeta. Demos 10 rands (R$ 2,38), quantia que o deixou feliz, para nosso espanto.


Durante o voo à Cidade do Cabo, percebemos que longe da miscigenação observada entre os brasileiros, por aqui as pessoas ou são negras ou são brancas, com evidentes traços europeus. Além disso, o país da Copa de futebol venera o rúgbi. Perguntamos a Wesley, um engenheiro sul-africano (branco) que voltava do Brasil após prestar um serviço para a Petrobrás. “Você gosta de futebol?”. “Não, prefiro rúgbi”, ele respondeu na lata.


Brasileiro aqui ainda é abortado com citações clichês a respeito de nossa cultura, como o carnaval, o Rio de Janeiro e Pelé.

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