O grande líder norte-americano Martin Luther King Jr. começou seu mais famoso discurso com 'Eu tenho um sonho...', pouco antes de ser assassinado, mudando a sociedade norte-americana e mesmo a sociedade mundial, para sempre. Mudou porque muita gente dispôs-se a sonhar com ele.
O que dizer então do Brasil, nação nascida e cantada como 'um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança'? Parecemos ter deixado de sonhar com o Brasil; que nos deixamos abater pela grandeza e dificuldade da tarefa de construir a nação que queremos, mas é nas horas de dificuldade que mais precisamos do sonho, porque nele nos vemos não como somos, mas como poderíamos ser. Se o Brasil que temos hoje não pode ainda ser chamado de país 'de sonho', então está na hora de recomeçarmos a sonhar. Por isso, quero compartilhar com vocês meus sonhos sobre uma política que possa construir um Brasil mais justo, mais humano, mais democrático, que finalmente honre seu lindo hino.
Sonho com uma política em que o bem público seja encontrado na progressiva convergência dos sonhos de todos, não na súbita prevalência dos sonhos de alguns; em que a negociação e o embate sejam as formas de conhecermos os sonhos uns dos outros na busca de um sonho em comum, e não apenas armas para destruirmos o sonho do outro; em que os protagonistas dos debates sejam as idéias, não as pessoas dos debatedores; em que as palavras sejam usadas para buscar entendimento e acordo, não convencimento e imposição; e que entendimento e acordo sejam usados para harmonizarmos nossas diferenças e não para fingirmos que não existem.
Sonho com uma política em que o confronto necessário entre facções opostas seja marcado pelo respeito e pela lealdade, não por hipocrisia e traição; que seja feita por adversários, não por inimigos; em que as concessões entre adversários sejam sinal de maturidade e não de negociatas; em que a ética seja uma reflexão consciente sobre nosso próprio comportamento em busca de aperfeiçoamento e não arma para atacar quem quer que seja; em que a honestidade e integridade sejam as luzes que norteiam a ação e não apenas bandeiras de palanque.
Sonho com uma política em que a ação do político seja fácil de prever, porque é resultado de sua coerência; em que o voto possa ser explicado, porque é resultado de seus princípios; em que os políticos estejam com o povo no dia a dia e não apenas nas vésperas de eleições; em que os políticos representem dignamente os que os elegeram, não em busca de privilégios para estes e sim para dar voz a todos os segmentos da sociedade; e que dê voz aos que não estão representados pelos políticos.
Sonho com uma política em que as utopias sejam constante inspiração para a ação, não ilusões que mascaram ou escondam a realidade; que reconheça as dificuldades que temos que enfrentar para construir nossa nação, mas não esmoreça diante delas, cedendo ao desânimo ou à tentação de ganho imediato que empenhe o futuro do País; em que o sonho tenha lugar, para que possamos ensinar nossos filhos e netos também a sonharem.
Nas eleições que se aproximam vamos decidir quem serão os políticos capazes de colocar em prática nossos sonhos. Esta política dos meus (nossos?) sonhos poderia ser a política da Franca para o Brasil.
Ary Balieiro e Ari Balieiro Júnior
Arquiteto, ex-vereador, ex-prefeito, atual vice-prefeito e seu filho
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