Há na minha alma errante
Depois da lua cheia que me olha além
Um luar pairando sobre as ondas
Um vento sedoso dizendo palavras d’água
E segredando brancuras líquido-cinza-azuladas
Na orla do impossível e do desejado
Viajando-me por imaginosos caminhos atrevidos
Percorro em longas carícias
A volúpia do mar nos braços da noite
E o deleite do mundo fundindo-se no escuro
Num tempo sem tempo
Sou água noite e palavras
Ardor pelo oceano
E pela sintaxe dos sonhos
Sou mergulhador à espera
De um único passo que afinal
Me desfaça líquida e azul
Num grande leito abissal.
Regina Helena Bastianini
Professora, poeta autora de Eu e o mundo (1990), Entrenós (2003), Contraponto (2006)
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