A simples tarefa de construir casas nos novos loteamentos da zona Sul está se tornando um desafio para proprietários e pedreiros em virtude do grande número de furtos nas obras. Fiação elétrica, ferramentas, sacos de cimento, materiais de acabamento e até motores de betoneiras fazem parte da lista de objetos furtados. Os bairros Jardim Piratininga, Franca Pólo Clube e Esplanada Primo Meneghetti estão entre os mais visados pelos bandidos por serem um verdadeiro canteiro a céu aberto, ou seja, têm grande número de obras em andamento e poucas unidades habitadas. O investigador Ricardo Ferrarezi, do 4º Distrito Policial, responsável pela apuração dos furtos naquela região da cidade, admitiu o registro de até quatro ocorrências por dia. Os agentes da delegacia investigam a onda de furtos e a possibilidade do material furtado estar sendo revendido em estabelecimentos da área. Viciados também estão envolvidos nos crimes.
O pedreiro Romeu Azevedo, 55, trabalha na construção de uma residência no Jardim Piratininga. O local foi invadido e 15 barras de ferro foram furtadas. "Aqui no bairro, todo mundo reclama dos furtos", disse Azevedo. O servente de pedreiro David Adeildo Quintino, 35, que trabalha em outra obra do mesmo bairro, contou que o dono da casa já teve prejuízo de mais de R$ 500 com os furtos. No Bairro Primo Meneghetti, o pedreiro Gilmar Soares, 44, construiu muro alto e instalou cerca elétrica para evitar furtos como o registrado no dia 26 de abril. Na ocasião, toda a fiação elétrica foi levada junto com o relógio medidor.
Os três registraram as ocorrências, mas outras vítimas preferiram não procurar a ajuda da polícia. O mestre de obras Amarildo da Silva, 39, foi vítima duas vezes de furtos. "Levaram ferramentas, riscadeira de piso, extensão, marretas e até escadas que usávamos para trabalhar", disse Silva. A casa que ele constrói também foi alvo e teve a fiação elétrica furtada no final de abril. O mestre de obras disse que não chamou a polícia porque acredita que não iria recuperar nada. "Perdi R$ 400 e, se fizer o registro, vou perder dois, três dias de serviço", justificou.
Quem está iniciando obras nos bairros mais visados admite o medo de ser vítima de furto. É o caso do construtor Donizete Aparecido Borges, 39. Ele deu início à construção de uma residência no Jardim Piratininga e guarda materiais na casa de um vizinho. "O comentário sobre furtos no bairro é grande e isto dá medo", disse Borges. Ele contratou um vigia para a obra no período noturno.
O Residencial Amazonas, que viveu problema semelhante no ano passado, só viu o número de furtos diminuir com a finalização das obras e a ocupação dos imóveis.
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