Pelo menos a metade dos 300 servidores do Fórum de Franca cruzou os braços ontem e aderiu à greve da categoria. A paralisação afetou parcialmente os trabalhos e apenas os serviços emergenciais foram realizados. A princípio, não há previsão de suspensão de prazos e o atendimento continuará sendo realizado no horário normal. A direção do Poder Judiciário local e a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) temem que os reflexos negativos se intensifiquem caso a paralisação se prolongue.
Os servidores decidiram entrar em greve como forma de pressionar o TJ (Tribunal de Justiça) a conceder uma reposição salarial de 20,16% e a contratar funcionários para repor o quadro que se encontra defasado. “A adesão está sendo surpreendente. Não há outra alternativa no momento a não ser a greve. Tentamos conversar de todas as maneiras, mas as negociações não evoluem”, afirmou Márcio César de Souza, presidente da Associação dos Servidores do Judiciário da Comarca de Franca.
A greve atingiu diretamente os cartórios e as Varas Criminal e Cível. A 3ª Vara criminal ficou fechada. Dos nove servidores do Cartório Distribuidor, apenas três trabalharam. Somente os pedidos que necessitam de urgência estão tendo andamento. “Estamos atendendo apenas os casos essenciais, como os que envolvem réus presos, menores e os de perecimento de Direito. A maior parte dos advogados teve compreensão neste primeiro dia. É preciso bom senso neste momento”, comentou Edna Aparecida Dias, chefe do Cartório.
A juíza Julieta Maria Passeri de Souza, diretora do Fórum, afirmou que o Tribunal de Justiça ainda não pensa em suspender os prazos. Qualquer decisão a respeito só será dada a partir de quinta-feira. “Em princípio, os trabalhos continuam sendo realizados e faremos o atendimento ao público no horário normal. Pedimos a compreensão da população, pois hoje não temos condição de prestar o serviço como gostaríamos. Se a greve se arrastar por muito tempo, haverá reflexo nos prazos e audiências não serão realizadas. Tudo será afetado. É um efeito dominó”.
O presidente da OAB, José Nelson Salermo, demonstrou preocupação com a greve e disse que efeitos negativos foram sentidos. “Já tivemos problemas com a distribuição de ações e protocolo. Se a greve se alongar muito, advogados e o público em geral serão prejudicados. O grande problema é a falta de andamento dos processos”.
Os servidores do Judiciário vão realizar uma nova assembleia em São Paulo amanhã para analisar os rumos do movimento. De acordo com o sindicato, Comarcas da região, como as de Ituverava, Igarapava, Orlândia e Pedregulho, começam a aderir à greve. A expectativa do comando grevista é de que a paralisação aumente ainda mais.
A entidade espera que o Plano de Cargos e Carreiras da categoria, uma antiga reivindicação, comece a ser votado pela Assembleia Legislativa hoje.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.