Em uma sala simples, com paredes de pintura desgastada e chão de cimento no Centro Comunitário do Parque do Horto, crianças carentes encontraram uma oportunidade de desenvolver habilidades, melhorar a concentração, ter preparo físico e se divertir dando muitas gargalhadas. A Escola de Circo começou as atividades há uma semana e surgiu do sonho de Sandra Maria de Lima. Com ajuda do governo, ela e mais três professores ensinarão a arte circense em diferentes bairros de Franca. Os alunos da periferia vão aprender a jogar malabares, subir em trapézios e se equilibrar no rola rola. A intenção é mudar o dia-a-dia de 120 crianças e adolescentes.
Em sua primeira aula, na semana passada, os olhos de Luís Felipe Murari Silva, 9, brilhavam ao aguardar na fila antes de “voar” no trapézio. Por cada aparelho que passava, o menino vibrava ao lado dos novos amigos. “Adoro o trapézio e não tenho medo de altura”, disse o aluno, que é deficiente auditivo e tem dificuldades para falar.
Bárbara Santos, de 10 anos, nunca assistiu ao vivo as brincadeiras ou palhaçadas de um circo e tudo durante a aula foi novidade para a menina que só via o circo pela televisão. “Sempre gostei da moça que ‘andava’ no tecido. Agora gosto também de jogar bolinhas”.
Durante a tarde, a menina não tinha atividades para fazer e ficava na rua. Sua mãe Marilúcia Modesto tem grandes expectativas com o curso. Acredita que a interação com os outros alunos vai torná-la mais desinibida e é uma boa oportunidade para a filha praticar exercícios. “Antes de vir para o Centro Comunitário, ela ficava na rua e não fazia nenhuma atividade física, agora ela não vê a hora de participar das aulas”.
O sonho de trabalhar num circo faz parte da imaginação de Igor Borges de Oliveira Santos, que aos 9 anos, participou de sua primeira aula na sexta-feira passada. O menino, que adora fazer palhaçadas em casa, ficou encantado com todos os aparelhos, aros e malabares. “Muito legal balançar nesse daqui (trapézio), mas vou aprender todos porque quando crescer quero trabalhar no circo”.
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