Praças e portões viram banheiro a céu aberto


| Tempo de leitura: 2 min
DESRESPEITO - Homem urina na Praça João Mendes, na Avenida Major Nicácio, no meio do dia: cena recorrente irrita quem mora e trabalha na região
DESRESPEITO - Homem urina na Praça João Mendes, na Avenida Major Nicácio, no meio do dia: cena recorrente irrita quem mora e trabalha na região

Terça-feira, 12h29, sol a pino, ruas movimentadas. Sentados nos bancos da Praça João Mendes, na Avenida Major Nicácio, funcionários do setor comercial descansam no horário de almoço. Estudantes passam pelo local para seguirem até o ponto de ônibus. Sem inibição alguma, um homem de 44 anos coloca a latinha cheia de cerveja num dos bancos, segue até uma escultura de mármore, encosta e urina. Ignora todo o resto. E que ninguém ouse reclamar.


Se você não flagrou situação semelhante, com certeza já se deparou com indícios do uso de vias públicas e residências como sanitários. Em seis pontos da cidade, o GCN Comunicação ouviu queixas de pessoas obrigadas a conviver com o cheiro de urina e até de fezes humanas impregnado nas paredes, chão, portões e também em áreas construídas para lazer.


A cena flagrada pela reportagem na Praça João Mendes é recorrente. Um comerciante da Rua Libero Badaró, que pediu anonimato, trabalha numa loja em frente à praça e constantemente assiste a pessoas urinando no local e também na casa de uma vizinha. “Urinam no jardim. Ultimamente usam como banheiro o portão da casa de uma senhora aqui do lado porque ele é um pouco afastado da calçada. Vão lá várias vezes por dia”.


Do ponto de comércio, sente-se o cheiro de xixi. “O cheiro incomoda muito. A gente vê esse abuso na casa da vizinha e fica com medo da violência, porque se fazem isso, podem fazer alguma coisa pior, mais grave”.


O morador de rua de 44 anos flagrado urinando na escultura da praça estava embriagado e não comentou o que fez.


O fedor também é enfrentado diariamente por quem trabalha na Avenida Frei Germano. Segundo os taxistas e comerciantes do local, os moradores de rua que ocupam o prédio da antiga Mogiana usam a banca de jornais como mictório. “Não conseguimos nem ficar ali perto por causa do mau cheiro. Os andarilhos usam ali como banheiro. Já flagramos eles fazendo (xixi) e até discutimos com eles por isso”, disse o taxista Edmar de Meneses, 43.


Numa praça da Avenida Adhemar de Barros, o problema se repete. Há anos o campo de malha é usado como moradia por andarilhos que utilizam o espaço como banheiro. Na manhã de terça-feira, parte do campo estava com cheiro insuportável de urina e muito lixo. Donizete Dourado, 49, que trabalha na banca de jornais ao lado do campo, fica incomodado com o fedor. “Quando esquenta muito, o vento traz o cheiro para a banca. É complicado. O pessoal reclama do cheiro forte. Eles ficam o dia inteiro aí e não têm onde urinar. Nunca vi pedirem para usar o banheiro do bar ou outro lugar”.


O morador de rua CAO, 34, estava na Praça João Mendes na última terça-feira e disse que usa o banheiro da igreja quando precisa fazer suas necessidades. “Simplesmente não uso as ruas como banheiro porque o padre empresta o banheiro da igreja porque os padres são bons”, disse ele, visivelmente alcoolizado.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários