O uso das chamadas 'pulseiras do sexo', artefatos coloridos de silicone que jovens têm colocados em seus pulsos para demonstrar um tipo de código para a paquera, acendeu uma grande polêmica no Brasil, em especial nos grandes centros urbanos.
Acredita-se que a 'onda' começou com jovens ingleses. Inicialmente o jogo era proposto com o consentimento de ambas as partes. Em determinado momento, relatos de violência sexual envolvendo as pulseiras começaram a ser feitos.
No Brasil os adolescentes também começaram a usar e não demorou para acontecer o mesmo que aconteceu no exterior: relatos de violência sexual. Chegou-se ao ponto da proibição das tais pulseiras através de decisões governamentais.
Mas, isso resolve? A discussão é complexa e podemos enxergá-la por meio de três eixos diferentes: primeiro, há um perigo real no uso desses artefatos. Jovens entre dez e 17 anos, ainda imaturos, usando algo que representa um ato sexual pode ser uma bomba-relógio.
Nesse sentido, controlar a venda do artefato pode ter um efeito imediato positivo. Mas, não basta e aí entramos no segundo eixo da discussão: a fórmula que explica o uso das pulseiras é a busca pela autoafirmação.
Os jovens as usam como forma de destaque e aceitação dos grupos de amigos e a 'escala' de cores (que simbolizam as intenções) representam o tamanho da coragem de cada um diante de um tema que ainda é tabu. Não as usar, considerando esse contexto, pode significar fraqueza diante do grupo, num momento de plena descoberta da vida sexual.
O que, então, os pais podem fazer? Proibir pode ser necessário, pois é uma forma de dar limites. Mas, em alguns casos, apenas proibir pode ser uma grande perda de oportunidade de orientar os filhos para que eles enfrentem seus problemas.
Os pais podem usar o encanto que os filhos apresentam pelas pulseiras como forma de compreensão e, ao mesmo tempo, aproximação dos conflitos que os adolescentes vivem.
Uma das principais reclamações que ouço no consultório é: 'mas meu filho não gosta de falar sobre si, não se abre! Ele não diz o que está pensando e nem as dúvidas que tem'.
Está aí a oportunidade de ouvi-lo! Ele coloca uma pulseira e com isso te diz: 'preciso ser aceito pelo meu grupo e não sei como fazer isso. Estou carente de auto-afirmação. Minha sexualidade está latente e não sei como lidar com ela. Não sei o que fazer com o meu desejo de aproximação pelo sexo oposto e a minha insegurança de como fazer essa aproximação'.
Aproveitar o problema como forma de orientação pode ser a saída. E aqui concluímos o último eixo da questão: entenda o recado que o filho está dando e aproxime-se de forma afetiva e amorosa, sem esquecer de que você já teve essa idade e, provavelmente, adoraria brincar com essas pulseiras.
Tiago Tamborini
Psicólogo, psicoterapeuta e professor universitário - tiagotamborini@uol.com.br
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