Trabalho e mudança


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Ao fim do século 19 o mundo acompanhava pequenas movimentações na migração dos trabalhadores da agricultura para a indústria. A transição iniciada pela Revolução Francesa de um século antes ainda engatinhava e a exploração intensa da mão de obra era um padrão de comportamento empresarial herdado de milenares culturas escravagistas. Das 13 horas de trabalho intenso que sobrecarregavam os ombros dos trabalhadores no ano de 1886 - ano da criação da data - às atuais jornadas de 8 horas, muitos conceitos foram reavaliados, muitas atitudes revistas. No Brasil, a oficialização da data comemorativa ocorreu em 1925, mas reuniu benefícios celebráveis apenas a partir da promulgação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), que rege os direitos dos trabalhadores desde Getúlio Vargas. O presidente defensor dos trabalhadores, apesar do caráter antidemocrático com que chefiou o País no seu período ditatorial, equacionou deveres com direitos e concedeu à classe trabalhadora ganhos expressivos.


Em Franca, a realidade histórica não se diferenciou muito do resto do País, exceto talvez por algumas datas. A tradição cafeicultora e pecuária local transformou-se em industrial e acompanhou tanto a era escravagista quanto a evolução tecnológica das últimas décadas. E beneficiou-se muito com isso. Da pequena Vila Franca do Imperador para centro regional e aspirante a metrópole, nossa terra colheu - e colhe ainda - farturas e fortunas a partir da ação de seus trabalhadores. Cidade operária por opção, Franca agora vislumbra uma nova tendência que exige reavaliação de muitos de seus conceitos. A exemplo dos originários e referenciais modelos industriais europeus, o parque industrial local exige a expansão da qualificação e, muitas vezes, a tem. Mas não se sustenta satisfatoriamente quando descobre que essa mesma qualificação transforma as expectativas dentro de seus operários.


Se ontem as fábricas eram compostas basicamente de sapateiros analfabetos, hoje as indústrias têm suas linhas de produção tomadas por técnicos formados, que almejam cursos superiores e, por conseqüência, maiores condições de trabalho e qualidade de vida. Poucos são os operários francanos que hoje têm por meta um cargo de inspetor de setor ou gerente de produção. Nota-se muito dessa tendência nas exaustivas e infrutíferas tentativas de contratação diante do atual período de crescimento calçadista. Anúncios sem retorno, vagas sem pretendentes.


Franca está crescendo, se atualizando, e, a exemplo de seus pares europeus, ansiando por melhorias. É a modernidade dos tempos e da qualificação dos trabalhadores que bate à porta de nossa terra e isso não é fato a se lamentar, mas a ser comemorado. Se ontem compúnhamos uma horda de sapateiros ignorantes, hoje formamos uma das mais prósperas comunidades paulistas. É questão de adequação, de ângulo de visão. Adequar-se aos novos tempos não se resume mais ao ato de trocar computadores, mas substitur conceitos.

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