Pouca mão de obra inflaciona mercado de trabalho


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PROCURA-SE - Produção da Calçados Stefanello, em Franca: Mesmo com a oferta de salários acima da média, além de benefícios, o empresário Jaime Borges, próprietário da empresa, não consegue preencher as vagas abertas
PROCURA-SE - Produção da Calçados Stefanello, em Franca: Mesmo com a oferta de salários acima da média, além de benefícios, o empresário Jaime Borges, próprietário da empresa, não consegue preencher as vagas abertas

Quem decide hoje ingressar no mercado de trabalho ou mudar de emprego está recebendo mais de salário inicial do que quem tomou esta mesma decisão neste período, do ano passado. Se o cargo for na indústria calçadista, o salto chega a até 16,77%, segundo levantamento divulgado nesta semana pela Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca). No caso de um costurador de calçados, por exemplo, a diferença entre o que era pago para um iniciante no ano passado e agora chega a R$ 126,59.


Para o professor de Recursos Humanos da Unifran (Universidade de Franca), Aécio Flávio Lemos, esse aumento na oferta de salário é reação da escassez de trabalhadores disponíveis no mercado. “Com menos gente para ser contratada, ocorre uma demanda maior de salário”. Nas fábricas de calçados, a alta nas contratações é explicada pelo aquecimento na produção. Com a retomada da economia, as lojas que estavam com os estoques vazios encheram as empresas de pedidos. No anseio de atender esses clientes o mais rápido possível, os calçadistas recorreram a novas contratações. Para o especialista, essa corrida em busca de profissionais contribuiu para que ocorresse uma valorização do “passe”.


Diretor regional do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) Franca, Saulo Pucci confirma a existência de um cenário de otimismo entre os empresários e diz que a necessidade de mercado aliada à recuperação do setor impulsiona a elevação dos salários. “Como a mão de obra está mais qualificada, ocorre uma valorização do profissional, pois há uma briga de mercado. Se um empregado com habilidade não for valorizado em uma empresa, ele tem a proposta de outra”, disse Pucci.


Consultor de mercado da Acif e professor de economia, Vicente Golfeto diz que o crescimento da massa salarial em Franca também é favorecido pela melhora de outros segmentos da economia local, como a construção civil e o setor varejista. Segundo Golfeto, a constante divulgação de oportunidades de emprego na cidade comprovam essa boa fase. “Houve melhora da renda. Com isso, os consumidores fazem mais aquisições, o que gera novas vagas de trabalho”.


No recrutamento diário de profissionais qualificados para indústrias francanas, Rosângela Baldini Silva, coordenadora de RH da Agiliza, percebeu que a pouca disponibilidade de mão de obra tem provocado até uma espécie de leilão de salários. “O trabalhador desiste de uma vaga na espera de uma oferta melhor de salário, pois sabe que o mercado está aquecido”.

Veja o quadro abaixo:

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