Talvez seja o encanto da tarde
- O Sol se esvaindo em promessas,
Acenos sensíveis de outros nascentes.
Talvez seja o som cristalino
Das cores se desdobrando
- Vítreos cantares -
Em notas e rotas e réstias de luz.
Talvez expressões de surpresa do azul
Que se descobre siena
E magenta e mostarda e malva e maçã...
Ou da luz, que se doura, redoura, odora
Ao pólen de muitas corolas
Se abrindo em tempo
De amores, amoras, romãs...
Talvez a melancolia do outono,
Em que morte é mel, é doçura,
Cantar de sereia, coro de anjos,
Convite ao sereno, ao sonho,
Ao mundo das ondas, do Éter...
Onde morte é céu se ocultando
Entre adeuses de luz.
Talvez seja apenas a flauta
- Aquela cantando ao longe,
Em canto de alma, de tarde, de vida vivida
Elevando olhos - doces serpentes,
Arrebatadas luas nascentes -
Ao céu, em busca da noite,
Negra seda suave volvendo,
Envolvendo, dissolvendo o azul.
Eny Miranda
Médica, poeta e cronista
Médica, poeta e cronista
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