A divulgação de que o vice-presidente da República, José Alencar (PR), quase se tornou uma das vítimas do golpe do falso sequestro mostra que, em que pese o esforço das autoridades, a limitação de celulares a criminosos condenados não está surtindo efeito. Afinal, o golpe (que vitima milhares de pessoas em todo o País, a cada mês) continua sendo aplicado e, em todos os casos registrados, os telefonemas são feitos por bandidos que usam celulares no interior dos presídios.
O golpe, deveras conhecido e que já vitimou muitos francanos, consiste em ligar para determinado telefone anunciando o sequestro de algum um familiar de quem atende. Com algumas variações, no final pede-se um resgate (em dinheiro ou em créditos telefônicos). Diante da situação (e contando com a ingenuidade da vítima), os marginais acabam conseguindo o seu intento. Embora a trama esteja sendo desmascarada e anunciada diariamente pelos órgãos de imprensa, muita gente cai. Até o vice-presidente Alencar, que disse ter segurança de que ouvia a filha (a qual os bandidos diziam ter sequestrado, exigindo R$ 50 mil de resgate) gritar no telefone. Só com a chegada da mulher conseguiu contatar a “vítima”, que estava em casa, sem saber do que ocorria.
Aquela história de que seriam instalados bloqueadores de sinal nos presídios caiu no esquecimento. A maioria dos aparelhos não funcionou devidamente e os celulares continuam entrando nas prisões brasileiras, muitas vezes contando com a conivência de funcionários que deveriam impedir que isso acontecesse. O golpe continua sendo aplicado, tendo até já causado a morte de pelo menos duas das vítimas que não suportaram a pressão que os marginais fazem.
Além de apenas informar que se trata de um golpe (como os contos do vigário, que ainda resistem neste século XXI, onde a tecnologia dá saltos sucessivos), as autoridades de segurança deveriam buscar soluções para este problema. É espantosa a facilidade com que os detentos conseguem receber aparelhos celulares, drogas e armas em suas celas.
Qualquer cidadão minimamente informado sabe que não bastam atitudes isoladas. É necessário que Estados e municípios estejam irmanados, sob o comando do governo federal, para que as soluções possam ser encontradas. Um detector de metais e um aparelho de raio-x (como os existentes em aeroportos e que poderiam ser usados à entrada das cadeias) já seriam mais eficientes do que os bloqueadores de sinais. Estes, assim, poderiam ser empregados como mais um item de segurança, garantindo a integridade de todos os que estão fora dos muros dos presídios, pagam impostos e esperam que ameaças como estes golpes não cheguem às suas casas com tamanha facilidade.
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