CPI convoca padre Dé e senadores vêm a Franca


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TRABALHO  - Os senadores Papaléo Paes (PSDB-AP); Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI; e José Nery (PSOL-PA), durante uma reunião administrativa da CPI da Pedofilia
TRABALHO - Os senadores Papaléo Paes (PSDB-AP); Magno Malta (PR-ES), presidente da CPI; e José Nery (PSOL-PA), durante uma reunião administrativa da CPI da Pedofilia

Senadores da CPI da Pedofilia convocaram o padre José Afonso Dé, 74, para depor e anunciaram que virão a Franca. A data da visita, no entanto, ainda não foi marcada. A convocação foi oficializada na tarde de ontem, durante reunião dos sete parlamentares integrantes da comissão. A aprovação foi unânime. No encontro, que durou três horas, os senadores aprovaram também o requerimento de cópia do inquérito junto à 2ª Vara Criminal de Franca, que está com o juiz Wagner Carvalho Lima.


Segundo o presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES), o dia da chegada dos senadores à cidade ainda não foi definido porque, antes, eles querem conhecer o conteúdo das investigações. “Precisamos esperar o inquérito primeiro. É possível que antes da CPI ir aí (em Franca), eu e o Romeu Tuma (PTB-SP) - designado relator - façamos uma visita à delegada do caso, para o Ministério Público”, disse Malta.


Sobre os motivos que levaram os senadores a participar da investigação contra o religioso que atuava na Paróquia São Vicente de Paulo, em Franca, Malta revelou que a comissão recebeu e-mails denunciando o comportamento de padre Dé. “Falavam sobre lugares aonde ele passou e dos abusos dele. É um caso emblemático que requer que a verdade seja revelada. A CPI, com os instrumentos que tem, nos sentimos na obrigação de entrar no caso”, disse.


Ainda no fim da tarde de ontem, a reportagem tentou entrar em contato com o vigário. O advogado de defesa do padre, Eduardo Caleiro Palma, informou que o religioso ainda não havia sido oficialmente comunicado sobre a convocação e, por isso, não falaria sobre o assunto. “Não houve nenhuma intimação da Justiça ou comunicação formal da CPI. Para nós, por enquanto, é tudo especulação. Padre Dé somente ficou sabendo de tudo isso, por acaso, na última terça-feira”, disse o advogado.


DENÚNCIA
Na terça-feira, 27, o promotor de Justiça José Lourenço Alves denunciou padre Dé ao juiz da 2ª Vara Criminal de Franca. Nota divulgada ontem pela promotoria informou que o MP “acatou a versão apresentada por aqueles que se disseram molestados pelo padre” e acusa o padre de “crimes sexuais praticados em continuidade contra oito adolescentes que o auxiliavam em cerimônias ou eram por ele preparados para a vocação sacerdotal”. Ainda segundo o texto, no entendimento de José Lourenço, “essa autoridade e ascendência do padre sobre os adolescentes é causa de aumento da pena a ser eventualmente aplicada”.


O processo está agora com o juiz Wagner Carvalho Lima que, depois de apreciá-lo, pode recebê-lo ou rejeitá-lo. Caso o receba, deve determinar a citação do acusado para que apresente sua defesa em, no máximo, 10 dias.

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