No dia 22 de abril de 1500, a esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral avistava um monte, no litoral da Bahia. A ele foi dado o nome de Monte Pascoal. Sabe por que escolheram este nome? Porque era véspera de Páscoa.
Cabral desceu com seus auxiliares e foi recebido por um grupo de nativos. Eles não usavam roupas, apenas tangas e muitos enfeites com penas. Pintavam a pele com uma tintura feita de urucum, uma semente vermelha. No grupo de portugueses encontrava-se o escrivão Pero Vaz Caminha. Ele escreveu ao rei de Portugal uma carta contando tudo o que estava vendo.
Era por cartas que as pessoas se comunicavam. Toda esquadra tinha um escrivão. Ele era responsável pelo diário de bordo. Todos os dias, descrevia com as melhores palavras o que se passava no navio e também fora dele. Cada página era um documento, assinado por quem escrevia e atestada por outros.
A carta de Caminha é um belo documento sobre a origem de nosso País. Alguns já disseram que ela é a certidão de nascimento do Brasil. Caminha fala de como os índios receberam os estrangeiros com curiosidade e gestos de amizade. Descreve a vegetação. Fala que as índias eram formosas.
Ele andou um pouco pela mata, recolheu frutos, observou a forma de vida dos índios. Os portugueses pensavam que tinham chegado a algum lugar das Índias, foi bem depois que o engano se desfez. Caminha escreveu ao rei que o solo daquela terra à qual haviam chegado era fértil. Disse ele: “em nela se plantando tudo dá”.
Desde então começou o processo de exploração dos portugueses sobre os habitantes, os índios. Sobre a terra, de início chamada Terra dos Papagaios; depois, Ilha de Vera Cruz; em seguida Terra de Santa Cruz; finalmente Brasil.
Os portugueses começaram levando o pau-brasil, com o qual tingiam tecidos, pois da madeira desta árvore extraíam uma tinta cor de brasa, daí seu nome. Eles exploraram também o trabalho dos índios, que não se submeteram e acabaram morrendo aos milhares.
Nem só na Bahia, perto do Monte Pascoal, viviam os índios. Eles se espalhavam por todo o território. Falavam línguas diferentes e ti-nham temperamentos diversos. Mas todos viviam da caça, da pesca, dos produtos da floresta.
Será que existiam índios aqui, no lugar onde hoje se ergue a cidade de Franca? Claro que sim. Este espaço era ocupado por florestas e cerrados. Na mata virgem, os índios eram senhores absolutos. Os pesquisadores e historiadores que investigaram a presença de índios na nossa região nos informam que eles pertenciam ao grupo chamado Caiapós.
Os Caiapós não eram tranquilos como os que receberam Cabral. Mais guerreiros, rejeitavam a presença de estranhos, flexando-os muitas vezes mortalmente. Nem sempre saíam vencedores na guerra contra os brancos. Quando sentiam que iam perder, recuavam para dentro da floresta, buscavam retiro no interior.
Até amanhã, você poderá ver no Museu Histórico de Franca “José Chiachiri” os vestígios deixados pelos Caiapós em nossa região. Há colares de contas, potes de cerâmica, chocalhos, representações do corpo humano em pedras e madeira, machadinhas, flechas, arcos, tangas, cocares....
Existem também dois exemplares de urnas funerárias. Uma maior e outra menor. Serviam para enterrar corpos e eram feitas de barro. Quando os índios morriam, eram colocados ali, em posição fetal. Isto quer dizer que ficavam como um bebê dentro da barriga de sua mãe
Os índios tinham uma relação muito estreita com a natureza. Esta forma de sepultar os mortos revelava um sentido. Devolviam o corpo à Mãe Terra, acreditando que um dia o espírito dos mortos saíria das urnas como um bebê da barriga de sua mãe. Estas urnas se chamavam “igaçabas”, na língua dos Caiapós. Já foram encontradas muitas igaçabas na nossa região.
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