O número de ofertas de vagas para trabalhadores em nossa cidade vem batendo recordes em diversos setores. Na avaliação de especialistas da área, esse bom momento deve perdurar pela maior parte de 2010 e o crescimento deve manter-se com bons reflexos até o próximo ano. Essa boa notícia é percebida inicialmente no setor calçadista, como tendência local comum, mas é extensivo também aos setores do comércio às vésperas do Dia das Mães e ao de serviços por consequência. Na construção civil, que é um dos principais termômetros do crescimento das cidades, as boas novas são visíveis: a cada mês dois novos bairros são surgem na cidade, como mostra da recuperação financeira do povo francano e de novo fôlego para os trabalhadores locais.
Mas se a oferta de emprego e de moradia é uma agradável notícia, a falta de mão de obra qualificada, principalmente para o preenchimento das vagas disponibilizadas pela indústria de transformação, é uma incômoda e preocupante realidade compartilhada. Para os especialistas da área, a migração de profissionais do ramo calçadista para outros segmentos explica parte da deficiência, afinal o setor francano passou por quase uma década de crescente arrocho mercadológico. Em resumo: desacreditados das chances de recuperação, nossos sapateiros desviaram-se e se adequaram às novas realidades. Por consequência lógica, hoje o setor amarga sua displicência e busca preparar nova mão de obra em regime de urgência. Com pedidos sobrando nos escritórios, as linhas de produção não atendem à demanda dentro das expectativas e podem tender, a médio prazo, a se desviarem para outros fornecedores de produtos que supram as necessidades do varejo nacional.
Diante desse quadro, o que seria um excelente referencial de crescimento hoje ilustra uma preocupante deficiência: da fartura surgiu a falta e do crescimento a deficiência. É realmente fundamental que se busque a produção de novas frentes de trabalho que atendam à demanda crescente, mas também é fundamental que a essa ação corresponda o reconhecimento do empresariado calçadista da necessidade de desenvolver novos mecanismos de manutenção de sua principal capacidade produtiva: seus operários. Sem prestadores de serviço de qualidade, nenhuma indústria é capaz de se manter com saúde no mercado. Mas sem que as indústrias reconheçam a necessidade de manutenção desses profissionais dentro de seus quadros funcionais nos períodos de vacas magras, certamente se prejudicarão nas boas fases. Com um mercado historicamente cíclico, como é o predominante em nossa terra, já deveria ser lógica a matemática do sucesso: sem mão de obra, sem produção. O bom momento comercial seguido pela escassez de material humano mostra a necessidade de revisão de conceitos e de uma revisão geral dos pontos de vista dos industriais quanto a seus colaboradores.
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