O promotor de Justiça José Lourenço Alves, da 2ª Vara Criminal de Franca, denunciou ontem à Justiça o padre José Afonso Dé pelos crimes de estupro de vulnerável (no caso dos menores de 14 anos) e violação sexual mediante fraude (para as supostas vítimas acima de 14 anos). De acordo com o Ministério Público, o juiz da 2ª Vara, Wagner Carvalho Lima, deve receber a denúncia nos próximos dias e mandar notificar o religioso para que ele apresente uma defesa por escrito em um prazo máximo de 10 dias. Em seguida, o juiz analisa as provas contidas no inquérito e as argumentações da defesa e pode tanto abrir um processo contra o vigário, quanto arquivar o caso.
José Lourenço tinha 15 dias para estudar o inquérito, mas o fez em menos de uma semana. O caso chegou em suas mãos no último dia 20 e ontem, dia 27, o promotor ofereceu a denúncia - em apenas quatro dias úteis.
CPI DA PEDOFILIA
Além do trâmite normal de um processo criminal, a Promotoria terá também que colaborar com a CPI da Pedofilia (Comissão Parlamentar de Inquérito formada por senadores e que investiga crimes sexuais contra criança e adolescentes em todo o Brasil). A convocação do padre Dé para depor na CPI deve ser votada na noite de hoje pelos integrantes da comissão. Ela foi anunciada na semana passada pelo presidente dos trabalhos, senador Magno Malta.
O parlamentar também afirmou ter pedido junto ao MP cópia de tudo que foi apurado durante as investigações. A CPI ainda não decidiu quando e onde o religioso será ouvido. Segundo Malta, existe a possibilidade da oitiva ocorrer em Franca e de um pedido de acareação entre o religioso e os menores apontados como vítimas.
Nos depoimentos prestados na delegacia, os menores, com idade entre 13 e 16 anos, disseram que entre os meses de janeiro e fevereiro desse ano, o padre acariciou seus órgãos genitais e tentou beijá-los na boca. Diante das denúncias, padre Dé foi indiciado pela polícia e afastado das funções pelo bispo diocesano, Dom Pedro Luiz Stringhini. Padre José Afonso Dé trabalhava como vigário da Paróquia São Vicente de Paulo, no Jardim Tropical. Ele nega as acusações.
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