Os moradores de seis residências na Avenida Hotto Paiva, no Jardim Portinari, têm convivido com o medo há pelo menos cinco meses. Eles moram próximo a um barranco que ameaça desabar a qualquer instante. A cada chuva, suas residências se enchem de barro e eles temem que, um dia, elas sejam soterradas pelo barranco que possui cerca de dez metros de altura. O local precisa de canalização de água e muros de arrimo para ficar protegido contra desabamentos.
No dia 27 de janeiro deste ano, uma das moradoras viveu uma situação que a fez se lembrar da tragédia que aconteceu no mês passado em morros do Rio de Janeiro. Durante a madrugada daquela noite, choveu muito forte. Pela manhã, ela percebeu uma rachadura no muro dos fundos de sua residência. A moradora já havia acionado a Prefeitura para avaliar o problema, mas disse que ninguém lhe apontou uma solução. “Eu liguei lá para avisar da rachadura, mas eles não deram a menor importância”, disse a pastora Ivone Fernandes de Paula Vieira, 52.
Horas depois, no mesmo dia, quando retornou para sua residência, encontrou o muro despencado no chão da varanda. “Foi horrível. Eu achei que ia perder minha casa inteira”, disse. Neste dia, os funcionários do Setor de Fiscalização da Prefeitura foram acionados novamente e interditaram os fundos de quatro casas ameaçadas pelo barranco. “Eles esperaram acontecer para virem aqui. Só então usaram suas máquinas de trabalho no fundo das casas. Eles interditaram os nossos quintais, tiraram um pouco do barro de lá de cima, fizeram um buracão e abandonaram”, disse.
Dias após o episódio, os moradores procuraram novamente ajuda na Prefeitura em busca de uma solução para o problema. “O pessoal da Secretaria de Urbanismo e Habitação disse que já tinha feito o projeto da obra, orçamento e que ia passar para o prefeito. Ficamos todos felizes e no aguardo do início das obras”, disse outra moradora, a pespontadeira Cristina Vieira, 38.
Há um mês, enquanto os moradores esperavam a reforma definitiva em suas casas, foram surpreendidos com uma intimação. “O documento dizia que tínhamos um prazo de 60 dias para resolvermos os problemas. Eles alegaram que, por a área ser particular, a construção dos muros de arrimo e o escoamento da água são de nossa responsabilidade”, disse.
Sem condições financeiras para o início das obras, as famílias pediram ajuda novamente à Prefeitura, que ficou de dar uma resposta em breve, mas até o momento, não voltou a se manifestar.
Procurada pelo Comércio ontem, a secretária de Urbanismo e Habitação, Valéria Marson, afirmou que, depois de muitas reuniões em busca de uma solução, foi aprovado há poucos dias um projeto para obras no local. A Prefeitura deverá realizar o serviço e cobrar depois os moradores.
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